terça-feira, 28 de agosto de 2012

A CONSTELAÇÃO DE AQUÁRIO (mitologia)


Um pastor (que também era aguadeiro) chamado Ganimedes – nome que viria a ser utilizado por Galileu para baptizar uma das 4 luas de Júpiter, que ele descobrira –, era um jovem, muito belo e gentil.
Por isso, um dia foi raptado pela águia de Zeus e levado para a morada dos deuses para ser o aguadeiro dos ditos. Rapidamente se tornou muito querido de todos e, aproveitando-se dessa circunstância, pediu a Zeus para que o deixasse ajudar os mortais seus irmãos, levando-lhes água. Concedido o pedido, Ganimedes – para os gregos – ganhou o estatuto de Deus da Chuva!
E, não só para bem desempenhar as suas funções, como para poder sempre ser visto pelo pai (o rei Trós, muito saudoso do seu filho...), os deuses colocaram-no no céu!

AQUÁRIO segundo a MITOLOGIA
  

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Eppur si muove


1 - Eppur si muove
 .

                                  
                                                 .."Para o homem não é fácil começar a pensar.
                                          No entanto, uma vez que consegue fazê-lo,
                                          nunca mais pára"
                                          Jean Jacques Roussau
 -
Na Terra, muita coisa mudara no mundo, em recentes anos e - em última análise -, desde a célebre frase de Galileu "Eppur si muove", a que os inquisidores do Santo Ofício não terão atribuído o verdadeiro significado. 
Aí despontava - ou renascia das cinzas da noite medieval que ofuscara os Gregos - o verdadeiro génio científico que haveria de fazer do homem um viajante das Estrelas e do Cosmos. A luneta do sábio mostrara claramente que a Lua era semelhante à Terra; até se lhe viam montanhas, planícies e o mar!... Júpiter provou sem remissão não ser "fogo vivo", principiando a desvelar os seus segredos e as suas quatro pérolas: Io, Calisto, Europa e Ganimede. Saturno, esse, expunha os seus anéis, como uma virgem jovem e púdica pela primeira vez expõe os seus.
Este fora o descobridor das ignoradas coisas de cima, o primeiro visionário da lonjura e do tempo, nas asas ágeis da óptica e no desassossego de procurar mais além. Viu para além da vista, o que ninguém vira. E, de ver, imaginou o que não via. Afinal, sempre haveria de haver outros mundos, outras madrugadas possíveis, outras noites de lua e de estrelas!
Mais tarde - muito... ou pouco mais tarde?... - vencida a força que nos traz amarrados pelos pés, ao umbigo da terra, um outro homem colocava nos mares celestes um ínfimo relógio a acordar-nos todas as manhãs, com um poético bip bip. Era a consagração do espírito cósmico, do ser-pensante. O primeiro passo do "deus nas alturas" a olhar-nos, como se fôssemos nós mesmos, do cimo do Olimpo inacessível e temido.
Depois foi a sucessão conhecida dos feitos imorredoiros que fizeram o sonho último dos inquietos, e que encheram de pavor, ou pura e simplesmente deixaram indiferentes os imbecis e os ignorantes. 
Este mesmo homem que já fora Pitecanthropos e Cro-magnon, que apenas vivera para viver e só merecera do chão da terra o seu fim último, ensaiava uma série de experiências visando perceber o sentido desconhecido da vida e os seus limites. Estaríamos sós no Universo? Seria ele intransponível ou completamente inóspito para o nosso metabolismo de carvão e água, ou seria possível alcançá-lo, abarcar o seu todo e uma pluralidade ou infinidade de mundos habitados, ou a habitar?
Soavam ainda os ecos de provável vida biológica perto de nós, nos canali de Marte, observados por Percival Lowell e exacerbados por Orion Welles, na célebre rábula da invasão dos marcianos que assustou meio mundo yankee
Como seria essa vida? Seria igual à nossa? Ou parecida, ao menos, como Robison pretendia por volta do primeiro quartel do século XX, pintando os Marcianos como criaturas espertas, de longas orelhas e olhos como feijões caritos, imitando as feições dum chinês, bebedores de chá e hábeis condutores de automóveis?
O homem pensante, o astrónomo, todos os inquietos, não desistiram. Puseram-se a pensar, a desenhar, a fazer espelhos e tubos para ver mais longe ou, apenas... a deduzir equações intermináveis.
E um belo dia, munidos da ciência da pólvora e dos pássaros, punham no Espaço um enxame de abelhas, a ver se elas construíam hexagonais os seus favos e se a hierarquia terrestre se mantinha, lá no alto, próximo dos deuses. Ensinou macacos a voar, segredou segredos inconfessáveis a vermes e répteis, disse aos pássaros que havia outras ilhas, para além dos mares. E com a mesma singela naturalidade com que domesticou animais pondo-os ao seu serviço, desde Lascaux e Kapovaya, deu asas à cadela Laika, para que ela pudesse admirar, por ele, o esplendor do planeta, feito de azul e luz. Passados tantos anos, séculos de gerações que se foram multiplicando no deslumbramento de ser e na angústia da existência precária e breve, o pobre animal perdura na memória dos homens, na sua ânsia de absoluto, no seu questionar infatigável de si mesmo e do seu destino; não terá o esplendor mítico da máscara de  ouro de Totankhamon, mas parece olhar o infinito da mesma maneira, podendo ainda hoje admirar-se embalsamada, num museu de Leste, como a um faraó, ou um fresco de Miguel Ângelo.
As portas do Céu abriam-se; Yuri Gagarine ficou para a História, ilustrando-se e imortalizando-se, por ser o primeiro a transpo-la. 
A Era Espacial aí estava.
E depois das primeiras e tímidas viagens no interior do Sistema, o homem aventurava-se mais além, no reino das estrelas.
.
 em A FEBRE DO OURO, pág 9

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

PLUTÃO


Plutão já não é considerado um planeta, como referi numa outra anterior postagem.
A razão desta minha nova postagem sobre o tema, é uma fotografia de Plutão - um minúsculo ponto luminoso, no meio dum autêntico mar de estrelas mais ou menos longínquas, da nossa própria galáxia, que se vêem no background. Mas mesmo assim é preciso o leitor deste post, arranjar uma qualquer maneira de ampliar a fotografia até ver Plutão, junto à ponta da seta!
Lembre-se, no entanto, que Plutão tem apenas cerca de um terço do volume da Lua. Como tem uma órbita muito excêntrica, chega-se ao Sol às 30 Unidades Astronómicas, ou afasta-se até às 49 U.A. Por Isso, periodicamente, fica mais perto do Sol do que Neptuno.
.
A extraordinária fotografia é de Pedro Ré, Professor da Faculdade de Ciências de Lisboa.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Nebulosa "A Formiga"


A nebulosa planetária Mz3 (ou Menzel 3 – descoberta por Donald Menzel, em 1922) tem uma forma estranha. Lembra o tórax e a cabeça duma formiga. Daí o nome por que também é conhecida. Tem um comprimento de cerca de um ano-luz. Mas deveria ser redonda. Pensa-se que alberga uma estrela parecida com o Sol (que não pode ser devidamente estudada porque a matéria da nebulosidade a ofusca), e que influencia a forma da nebulosa. O seu estudo aprofundado pode permitir saber como será o nosso Sol, depois de transformar-se também em nebulosa planetária.
A Nebulosa pode ser observada na constelação de Norma e encontra-se a cerca de 3 mil anos-luz da Terra.

Crédito: R. Sahai (JPL) et al., Hubble Heritage Team, ESA, NASA