segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Grandes cometas da História - O HALLEY

O Halley de 1910, sobre a 5 ª Avenida, em Nova York
O Halley de 1910 (gravura da época)

Em 1835, o Halley, sobre Paris, visível em pleno dia!

O cometa Halley é o mais célebre de todos os cometas. A sua história remonta ao ano de 239 a. C.
Devemos aos remotos astrónomos chineses as observações que efectuaram nesses tempos recuados e também todos os registos de outros cometas, incluindo as 10 posteriores aparições do mesmo cometa, entre os anos de 760 e 66 d.C. Mas eles não foram capazes de associar nenhuma dessas aparições a qualquer outra anterior, porque nesse tempo se pensava que esses estranhos visitantes nunca mais voltavam. Hoje sabe-se que assim não é, depois que Edmond Halley, um astrónomo inglês que viveu no século XVII, observou e estudou a trajectória dum cometa brilhante que se via nos céus e a que deu o seu nome, em 1682.
Baseando-se nos escritos enunciados no «Principia», de Newton, onde eram deduzidas as leis da mecânica celeste e nas leis que Kepler equacionara para descrever o movimento dos planetas em torno do Sol, Edmond Halley determinou a trajectória do cometa e foi capaz de prever o seu regresso. Essa órbita é uma elíptica muito alongada e, contas feitas, o cometa regressaria dentro de 75 ou 76 anos. E regressou. O astrónomo já não pertencia ao número dos vivos, para poder presenciar e rejubilar-se com a sua extraordinária previsão, mas o seu nome ficou para sempre ligado à astronomia e o feito serviu de prova complementar às leis de Kepler e à revolucionário teoria da gravitação de Newton.
Mas nem por isso se esvaneceram as crenças nos maus augúrios trazidos pelos cometas.
Antes de Edmond Halley, em 66 d. C., segundo relatos ocidentais da época, o cometa permaneceu visível quase durante um ano, sobre Jerusalém e "parecia um sabre ameaçando a cidade". Esta passagem do Halley ficou associada à Guerra Judaica. Como se sabe, os romanos do tempo do imperador Vespasiano, cercaram Jerusalém em 70 d. C. e acabaram por tomar a cidade sitiada.
Em 1066, ano em que o cometa também reapareceu nos céus da Terra, é de lembrar o resultado da célebre batalha de Hastings, entre Normandos e Ingleses: para os Normandos ele ficou como um bom presságio, pois ganharam a guerra, enquanto que os Ingleses o amaldiçoaram...
Também uma situação semelhante aconteceu em 1910, aquando da implantação da República, em Portugal. Para os republicanos, o Halley tinha sido uma boa promessa; para os monárquicos, o anúncio duma grande desgraça...
É vasta a lista conhecida de desgraças e cataclismos atribuídas aos cometas, quer ao Halley, quer aos outros. Ainda em relação a este célebre "viajante interplanetário", lembremos Mehemed II e a queda de Constantinopla, em 1456. O responsável por essa calamidade, para os Cristãos e para toda a cristandade... fora o Halley, que, no entanto, só passou 3 anos depois!...
A última passagem do Halley, junto da Terra, verificou-se entre 1985 e 1986, como previsto. Mas as condições de visibilidade foram muito afectadas pela grande distância a que passou de nós, no seu caminho em direcção ao Sol, e também na sua rota de regresso aos confins do Sistema Solar. Na Europa, na maior parte do tempo ele aparecia-nos muito próximo da estrela, ao nascer ou por do Sol, sendo ofuscado pelo seu brilho. Mas no hemisfério austral – por exemplo, na África do Sul –, o Halley manteve-se muito tempo ao alto, no céu nocturno e foi possível observá-lo sem dificuldade. Esta última aparição do célebre cometa terá sido uma das mais pobres de toda a História.
A próxima passagem será no ano de 2061.
Entretanto, espera-se pelo Ison... no próximo mês.


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O COMETA WEST

Este espectacular cometa, observado em 1976, foi um dos que, ao passar pelo Sol, se fragmentou. Brilhava tanto como o planeta Júpiter.
Esperemos que o mesmo não aconteça ao Ison, que se aproxima a grande velocidade…
O West tem um período duns 500 mil anos e pensa-se que foi a primeira vez que nos visitou!

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O COMETA DO "VINHO DO PORTO"

Desenho da Época.

Em Março de 1811, um astrónomo francês de nome Honoré Flaugergues, fez saber da existência dum cometa que haveria de mostrar-se de grande brilho, no Outono desse mesmo ano, e que seria muito facilmente visível a olho nu.
Nalgumas gravuras desse tempo, ele aparece retratado com cabeça de mulher e um archote nas mãos, com que pegava fogo às videiras, já que era Setembro, a época das vindimas!
Napoleão, optimista, antes das desastrosas campanhas da Rússia, tinha-o considerado um bom augúrio; afinal, ele terá sido um bom prenúncio, sim… para os seus inimigos!
E a posteriori, segundo Guillemin, o astro foi tido pelos franceses, como responsável pelas derrotas de Bonaparte na Rússia, e na batalha de Smolenski…
E embora por toda a Europa o cometa tivesse aterrorizado as populações, não fugindo Portugal à onda de irracionalidade, aconteceu que, nesse ano de 1811, tivesse sido produzida uma colheita de Vinho do Porto de qualidade rara, classificada como vintage de 5 estrelas!
Logo, os mais interessados (os produtores de célebre néctar), numa manobra publicitária oportunista e muito bem atempada, se aprestaram a associar a excepcional qualidade do vinho ao aparecimento do cometa e o seu bom presságio… muito embora nesse mesmo ano, tivessem caído as exportações do célebre vinho!
A atribuição da denominação vintage passou a ser utilizada daí em diante. Chamaram-lhe Flaugergues, como haveriam de dar o nome de Waterloo, à colheita de 1815, quando outro grande cometa fez a sua aparição.
"A correlação do vintage do Vinho do Porto de 1811 com o grande cometa desse ano, afigurava-se perfeita", segundo disse H. Warner Allen (A History of   Wine, Londres, 1961.
Entretanto, na velha Europa, o povo julgou que o cometa era anunciador do fim do mundo, gerando um onda de terror, com já havia acontecido noutras épocas (e que, pelos vistos, continua a acontecer sempre que algo de muito incomum acontece nos céus… e até nas convulsões da própria Terra).
Ninguém ficou indiferente à imponência do cometa, tanto mais que ele acabou por permanecer nos céus, durante nove meses!
Até na prestigiada Histoire de l’Astronomie, publicada em Paris, em 1873, Ferdinand Hoefer lhe fez referência.
Sob o ponto de vista científico, há a assinalar que um grande astrónomo desses tempos, Herschel, sustentou, e com razão, que este tipo de astros também está sujeito a um movimento de rotação, com os planetas e seus satélites.
Para além de ter sido calculada a cauda do cometa em cerca de 150 milhões de quilómetros – a distancia Terra/Sol – e a cabeleira nuns 2 milhões, um outro astrónomo, Argelander, calculou a órbita do cometa em 3.065 anos!
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* Extracto do meu livro "História Breve dos Cometas"

terça-feira, 8 de outubro de 2013

GRANDES COMETAS DA HISTÓRIA (III) - o DONATI




Embora basicamente idênticos, os cometas apresentam-se-nos quase sempre com diferentes configurações.
A sua maior ou menor exuberância, depende essencialmente da conjugação de distâncias menores, ao Sol e à Terra.
O cometa Donati tem sido considerado o mais belo da História, pela harmonia das suas três caudas, uma de gás e duas de poeiras.
Em Outubro de 1858 esteve no seu maior esplendor, tão brilhante como a mais brilhante estrela dos nossos céus: Sírio.
A cauda de gases apresentou-se como a maior e estendeu-se por uns 40º, no firmamento.

                       * É curioso verificar que, à direita do cometa, se pode ver a Ursa Maior.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Constelação BALANÇA (ou LIBRA)

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A Balança (ou Libra) é uma constelação pouco expressiva, dita do Zodíaco, e de relativamente pouco interesse, para a Astronomia. 
Encontra-se entre Escorpião e Virgem e para os Antigos representava a balança da justiça, talvez porque nela se encontra o data em que o dia é igual à noite – o dia do Equinócio – 23 de Setembro.
Não tem estrelas notáveis, nem há por aí outros objectos celestes de interesse.