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25 de Abril
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uma bandeira na mão
outra no peito
atrás da razão
o direito
No anterior artigo, referente à constelação do Escorpião, referimos um pouco da sua história, segundo a visão da Mitologia Clássica. Mas, na verdade, a verdadeira condição da constelação, é bem outra.
Para os astrónomos as constelações são campos, dos 88 em que a abóbada celeste foi dividida (em constelações), na sua projecção no fundo celeste, tal com é vista de cá. Para os antigos, a configuração das estrelas, desenhava abstractamente um guerreiro, um cão, uma balança, ou um escorpião, por exemplo.
Para os astrónomos, as constelações funcionam como pontos de referência para as diferentes regiões da abóbada celeste.
E por vezes não são as estrelas de maior brilho (magnitude) as que mais suscitam o interesse. Outros objectos são mais importantes.
Na constelação do Escorpião, Antares (Alpha Scorpii, a denominação latina), a sua estrela principal merece referência, pois é uma supergigante vermelha, 700 vezes maior do que o Sol e 10.000 vezes mais brilhante. Na realidade a estrela (de magnitude 1) tem uma companheira, sendo portanto uma estrela binária. É dos objectos mais avermelhados do inteiro céu sendo, por vezes, confundida com o planeta Marte (o planeta vermelho). Encontra-se a 600 anos-luz de nós.
Outros objectos, na mesma constelação, merecem especial referência. A este assunto voltaremos em próxima postagem.
A Mitologia Clássica é uma disciplina muito interessante, como aliás, todas as outras mitologias. Nela se inspiraram os grandes poetas desses tempos e, mesmo, Camões, já no período Renascentista. Essas extraordinárias histórias, estão, por vezes, na génese da própria História da Mitologia.
Gregos e Romanos tinham deuses para tudo e a vida desses deuses era imaginada à semelhança da dos mortais – homens e animais.
O Cristianismo que, como se sabe, apareceu muito depois, acabou por adoptar idênticos modelos, com uma profusão de santos e santas protectores.
Não sei se já haverá um santo protector contra os vírus informáticos. Mas deve estar na forja... Bem necessário é, porque os anti-vírus fabricados pelos mortais, por vezes erram – como qualquer mortal!...
A história (muito sucinta) que hoje aqui trago, é a de Escorpião, uma das doze constelações do Zodíaco.
Na Mitologia, o Escorpião está intimamente ligado à história do belo e audaz Orion - um caçador de extraordinários recursos. Usava uma espada, uma clava e um escudo (na constelação, na parte central - as Três Marias) e fazia-se acompanhar por dois cães de caça – as constelações de Cão Maior e Cão menor.
Em consequência dessas suas grandes capacidades, era frequentemente chamado, pelas divindades, para destruir horríveis feras e outros monstros que infestavam o país. No entanto a sua beleza atraiu as atenções da deusa Aurora que o raptou, levando-o consigo para a ilha de Delos. Esse amor, segundo reza a tradição, terá durado pouco. Aurora que desafiara a beleza de Afrodite, a deusa do Amor, foi castigada a não ter senão amores insatisfeitos.
A história, a partir daqui, é um pouco confusa, não se entendendo os mitólogos, sobre o desfiar dos acontecimentos.
O certo é que foi enviado um escorpião para matar Orion e ele, picado pelo terrível animalejo, morreu. Mas Ofiúco, conhecedor dos antídotos para todos os venenos, fê-lo ressuscitar.
No Céu, pode ver-se este último a pisar e esborrachar o escorpião. Orion, que era um dos gigantes, filho de Posseidon (ou Neptuno, para os Romanos – o deus do mar) também foi colocado no céu, como acontecia a quantos se celebrizavam, sendo mortais.

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As crenças que os cometas têm alimentado, vêm de muito longe, no passado.
Eram, geralmente, de que são portadores de mensagens predizendo a queda de impérios, cataclismos naturais, morte e destruição.
Outros cometas, porém, terão passado por nós tão remotamente que, no meio da surpresa e medo, serviam às mil maravilhas a reis, a chefes e a religiosos que pretendiam legitimar novas leis, ou disposições. O cometa seria um sinal divino de que o povo deveria seguir de bom grado, o que fora promulgado.
É, porventura, o caso do espectacular Hale-Bopp (um dos mais brilhantes do século passado), que regressou às imediações da Terra, 4. 210 anos depois da última visita, o equivalente a 200 gerações!
Hoje, os astrónomos são capazes de calcular as datas das anteriores visitas destes corpos quase fantasmagóricos. Sabendo-se que ele passou nas imediações da Terra, no ano de 2. 213, antes de Cristo, os arqueólogos trataram de procurar em documentos da época, qualquer referência ao acontecimento. Mas, por hora, nada foi encontrado em hieróglifos, papiros, murais, textos chineses.
Por esse tempo, os egípcios construíam as três grandes pirâmides. Na China, aprontava-se o primeiro calendário. Por quase todo lado, exceptuando os já citados, a Mesopotâmia e a Índia, o homem ainda vivia da maneira mais primária, na chamada pré-História. Desconhecia a moeda, a agricultura e a escrita, dormia em grutas, vivia da caça e da pesca e do que eventualmente ia encontrando por onde passava.
Foi este mesmo Hale-Bopp que eles terão observado. Tem cerca de
Estes artigos sobre cometas também são publicados regularmente no jornal Notícias de Lagos
Ver neste blog, as postagens anteriores, números 1, 2 e 3, desta série sobre os cometas.
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O registo mais antigo da observação de um cometa, foi feito por um astrólogo da corte imperial chinesa, no ano já distante de
Quando foi possível usar chapas fotográficas, muitos astrónomos começaram a detectar cometas de exíguas dimensões visuais, fotografando a mesma região do céu, noites e noites a fio e comparando depois as chapas. Se aparecia algum ponto de luz que não estivera lá, nas noites anteriores, então, era provável que se se tratasse dum cometa. Posteriores fotografias permitem saber ao certo do que se tratava e, se fosse um cometa, determinar-lhe a órbita e saber da possibilidade de ser observável a olho nu. Esta técnica ainda é usada. Os primeiros contactos visuais acontecem quando esses astros ainda se encontram muito longe, por vezes entre a zona das órbitas de Júpiter e Marte.
No passado recente (e ainda hoje) eram os astrónomos amadores que se dedicavam a procurar cometas. No entanto, particularmente depois da entrada em operações do telescópio espacial Hubble, muitos desses astros são detectados, em primeiro lugar, por esse potente instrumento óptico. E, para além de outras observações que permitem descortinar todos os recantos do céu, com uma nitidez sem par, o Hubble está a ser utilizado para vasculhar nas regiões que estão logo a seguir à zona da referida órbita de Plutão. Procura a famosa Cintura de Kuipper, imaginada pelo astrónomo Gerard Kuipper, em meados do século passado, já que, em 1992, telescópios terrestres detectaram, pela primeira vez, cerca duns vinte corpos cobertos de gelos para além da citada órbita de Plutão. Os primeiros cálculos indicam que esse repositório deverá ter uns 200 milhões de corpos. Encontra-se a umas 500 vezes a distância entre a Terra e Sol. A região do céu que está a ser rastreada, situa-se na constelação do Touro. Nessa região, o fundo galáctico apresenta poucas nebulosas e galáxias que poderiam baralhar as pesquisas.
Cometas #2
(continua)

Este cometa Holmes tem sido motivo de observações várias, não só de amadores, como de profissionais e até do próprio telescópio espacial Hubble. Depois duma explosão no dia 23 de Outubro, o cometa começou a expandir-se, sendo visível à vista desarmada. Continua na mesma zona do céu e é possível vislumbrá-lo junto à estrela mais brilhante da constelação Perseu, mais ou menos a meio caminho entre as Plêiades (vulgo sete estrelo) e a Cassiopeia (que parece um W). Tudo isto, ao alto do céu, não longe da Estrela Polar. É visto como uma muito pequena bola ténue. Ele encontra-se a uma distância comparável à que nos separa do Sol e é, neste momento o maior objecto do Sistema Solar! Isso é devido à enorme "cabeleira" que desenvolveu. No entanto a sua matéria é extremamente rarefeita e as dimensões que apresenta só podem ser vistas com bons telescópios. São as notícias que chegam do telescópio franco-canadense de Havai, no monte Mauna Kea. Na imagem, também se pode ver Saturno, por comparação.
Quanto à chuva de estrelas, ontem consegui ver duas, mas o céu estava nublado e não deu para mais. Creio que as notícias (segundo a meteorologia), não deixam grandes esperanças, para as regiões do Norte e Centro. De todas as maneiras, nada comparado com o que aconteceu em 1999, 2001 e 2oo2, onde foi possível observar milhares de ocorrências por hora! .A astronomia de amadores é assim. É preciso muita paciência.
SCLARECIMENTO: Devido à actualidade deste evento, decidimos recolocar a postagem sobre magnitudes, para data posterior.
A cabeleira está maior, embora a sua magnitude tenha descido.
Isto é: perdeu intensidade, o seu brilho.
Na carta celeste que mostramos, cortesia da revista de astronomia Sky and Telescope, mostramos a sua localização. Deve-se olhar para os céus altos na direcção de noroeste. Como ponto de referência procurar a constelação Cassiopeia, que é bem visível pois as suas estrelas parecem formar um W. Aproveitar este fim de semana, ao cair da noite, antes que a Lua venha por aí, de novo, a estragar tudo...


imagem de artista
créditos: www.apolo11.com