DILEMA

https://youtu.be/K_sAgzRbMu4

terça-feira, 22 de abril de 2008

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25 de Abril

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uma bandeira na mão
outra no peito

ç
atrás da razão
o direito

terça-feira, 15 de abril de 2008

ESCORPIÃO (2)

ANTARES

No anterior artigo, referente à constelação do Escorpião, referimos um pouco da sua história, segundo a visão da Mitologia Clássica. Mas, na verdade, a verdadeira condição da constelação, é bem outra.
Para os astrónomos as constelações são campos, dos 88 em que a abóbada celeste foi dividida (em constelações), na sua projecção no fundo celeste, tal com é vista de cá. Para os antigos, a configuração das estrelas, desenhava abstractamente um guerreiro, um cão, uma balança, ou um escorpião, por exemplo.

No caso vertente, no antigo Egipto, a ideia dum escorpião tem origem nos períodos de seca que assolavam a região do Nilo. É precisamente nessas alturas que o Sol se projecta nessa constelação. O Escorpião encarnava um animal nefasto, perigoso, pronto a matar com o seu ferrão venenoso, rastejando lentamente na abóbada celeste, pela noite fora.

Para os astrónomos, as constelações funcionam como pontos de referência para as diferentes regiões da abóbada celeste.
E por vezes não são as estrelas de maior brilho (magnitude) as que mais suscitam o interesse. Outros objectos são mais importantes.
Na constelação do Escorpião, Antares (Alpha Scorpii, a denominação latina), a sua estrela principal merece referência, pois é uma supergigante vermelha, 700 vezes maior do que o Sol e 10.000 vezes mais brilhante. Na realidade a estrela (de magnitude 1) tem uma companheira, sendo portanto uma estrela binária. É dos objectos mais avermelhados do inteiro céu sendo, por vezes, confundida com o planeta Marte (o planeta vermelho). Encontra-se a 600 anos-luz de nós.
Outros objectos, na mesma constelação, merecem especial referência. A este assunto voltaremos em próxima postagem.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

A CONSTELAÇÃO DE ESCORPIÃO

UM POUCO DE MITOLOGIA

A Mitologia Clássica é uma disciplina muito interessante, como aliás, todas as outras mitologias. Nela se inspiraram os grandes poetas desses tempos e, mesmo, Camões, já no período Renascentista. Essas extraordinárias histórias, estão, por vezes, na génese da própria História da Mitologia.
Gregos e Romanos tinham deuses para tudo e a vida desses deuses era imaginada à semelhança da dos mortais – homens e animais.
O Cristianismo que, como se sabe, apareceu muito depois, acabou por adoptar idênticos modelos, com uma profusão de santos e santas protectores.
Não sei se já haverá um santo protector contra os vírus informáticos. Mas deve estar na forja... Bem necessário é, porque os anti-vírus fabricados pelos mortais, por vezes erram – como qualquer mortal!...
A história (muito sucinta) que hoje aqui trago, é a de Escorpião, uma das doze constelações do Zodíaco.
Na Mitologia, o Escorpião está intimamente ligado à história do belo e audaz Orion - um caçador de extraordinários recursos. Usava uma espada, uma clava e um escudo (na constelação, na parte central - as Três Marias) e fazia-se acompanhar por dois cães de caça – as constelações de Cão Maior e Cão menor.
Em consequência dessas suas grandes capacidades, era frequentemente chamado, pelas divindades, para destruir horríveis feras e outros monstros que infestavam o país. No entanto a sua beleza atraiu as atenções da deusa Aurora que o raptou, levando-o consigo para a ilha de Delos. Esse amor, segundo reza a tradição, terá durado pouco. Aurora que desafiara a beleza de Afrodite, a deusa do Amor, foi castigada a não ter senão amores insatisfeitos.
A história, a partir daqui, é um pouco confusa, não se entendendo os mitólogos, sobre o desfiar dos acontecimentos.
O certo é que foi enviado um escorpião para matar Orion e ele, picado pelo terrível animalejo, morreu. Mas Ofiúco, conhecedor dos antídotos para todos os venenos, fê-lo ressuscitar.
No Céu, pode ver-se este último a pisar e esborrachar o escorpião. Orion, que era um dos gigantes, filho de Posseidon (ou Neptuno, para os Romanos – o deus do mar) também foi colocado no céu, como acontecia a quantos se celebrizavam, sendo mortais.

quinta-feira, 27 de março de 2008

COMETAS (4)

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O COMETA HALE-BOPP
tal como foi visto nos céus da Terra

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As crenças que os cometas têm alimentado, vêm de muito longe, no passado.
Eram, geralmente, de que são portadores de mensagens predizendo a queda de impérios, cataclismos naturais, morte e destruição.
Outros cometas, porém, terão passado por nós tão remotamente que, no meio da surpresa e medo, serviam às mil maravilhas a reis, a chefes e a religiosos que pretendiam legitimar novas leis, ou disposições. O cometa seria um sinal divino de que o povo deveria seguir de bom grado, o que fora promulgado.
É, porventura, o caso do espectacular Hale-Bopp (um dos mais brilhantes do século passado), que regressou às imediações da Terra, 4. 210 anos depois da última visita, o equivalente a 200 gerações!
Hoje, os astrónomos são capazes de calcular as datas das anteriores visitas destes corpos quase fantasmagóricos. Sabendo-se que ele passou nas imediações da Terra, no ano de 2. 213, antes de Cristo, os arqueólogos trataram de procurar em documentos da época, qualquer referência ao acontecimento. Mas, por hora, nada foi encontrado em hieróglifos, papiros, murais, textos chineses.
Por esse tempo, os egípcios construíam as três grandes pirâmides. Na China, aprontava-se o primeiro calendário. Por quase todo lado, exceptuando os já citados, a Mesopotâmia e a Índia, o homem ainda vivia da maneira mais primária, na chamada pré-História. Desconhecia a moeda, a agricultura e a escrita, dormia em grutas, vivia da caça e da pesca e do que eventualmente ia encontrando por onde passava.
Foi este mesmo Hale-Bopp que eles terão observado. Tem cerca de 40 quilómetros de diâmetro e foi redescoberto em 1995. Aquando da sua visita, a cauda estendia-se no vazio interplanetário, por uns 80 milhões de quilómetros, ou seja: 200 vezes a distância que nos separa da Lua, ou mais de metade da distância entre a Terra e o Sol. Nada, praticamente, mudou nele, desde a sua anterior passagem, embora perca 300 toneladas da sua matéria gelada, em cada segundo. Como se sabe, um dos piores inimigos da astronomia de amadores, ou de simples observadores da abóbada celeste, durante a noite, é a poluição luminosa. Mas mesmo assim, proporcionou um fascinante espectáculo nocturno e era tão brilhante que facilmente se poderia ver nas cidades e até foi observado em Nova York!

Estes artigos sobre cometas também são publicados regularmente no jornal Notícias de Lagos
Ver neste blog, as postagens anteriores, números 1, 2 e 3, desta série sobre os cometas.

terça-feira, 18 de março de 2008

O EQUINÓCIO DA PRIMAVERA

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Estamos perante um equinócio - o da Primavera. Os equinócios acontecem duas vezes por ano, quando o Sol, na sua aparente rota, cruza o plano do equador celeste. Isso dá-se na noite de 20 para 21 de Março, e entre 22 e 23 de Setembro. No hemisfério sul, ocorre o inverso. A variação entre esses dois dias sucede por força dos anos bissextos que fazem deslocar de um dia, o calendário. Nessa precisa data, o dia e noite têm igual duração. Sabe-se que, em Portugal, em épocas pré-históricas o acontecimento era festejado em Foz-Côa. Crê-se que isso acontecia no lugar de Tambores, onde existe uma gruta escavada num penedo de quase cinco metros de altura e que era um templo. No México central, sendo os seus antigos habitantes adoradores do Sol, esta celebração perde-se no tempo, muito antes de Colombo ter arribado ao continente americano. O rito (hoje retomado) é para honrar Quetzalcoatl "a serpente emplumada", o mensageiro dos deuses aztecas, relacionada, no céu, com o planeta Vénus. Mas também para os cristãos a data era festejada, dando continuidade a rituais mais antigos, de gregos e romanos. Ela anuncia a transição do tempo das trevas, a Quaresma, para o tempo da luz, a Páscoa - a ressurreição, o início duma nova vida. Um dos seus mais conhecidos ornatos, são os ovos da Páscoa, símbolo de fertilidade, representada na Grécia pela deusa Persefone e em Roma pela equivalente deusa Ceres.

segunda-feira, 3 de março de 2008

O NEUTRINO

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Uma partícula quase fantasma
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O número de neutrinos que chega à Terra é colossal. Têm características que os tornam quase indetectáveis, porque são partículas electricamente neutras (tal como os fotões), e ainda muitíssimo mais pequenas que eles. Assim, não são atraídos ou repelidos pela matéria comum e passam facilmente por entre ela, sem esbarrar com os núcleos de todos os elementos da natureza (atravessam o nosso corpo, em todos os sentidos, sem que demos por isso e sem nos causar qualquer dano), podendo também atravessar de lado a lado toda a Terra, (e mesmo o Sol), sem praticamente interagir com a matéria.
A existência desta partícula quase fantasma, tinha sido proposta pelo físico austríaco Pauli, em 1930, para tentar explicar determinados problemas que se punham com a desintegração do neutrão. Mas foi Enrico Fermi, ainda no mesmo ano de 1930, que elaborou um modelo para o átomo, que incluía o neutrino. Como era italiano, chamou-lhe neutrino, ou seja: pequeno neutrão.
A existência da partícula acabou por ser provada. Uma das primeiras experiências, foi feita no Japão, envolvendo 50. 000 toneladas de água. O neutrino, de onde em onde, embora muito raramente, acaba por interferir com a matéria e produzir luz, que era captada e registada num dos 17. 000 tubos que compunham o sofisticado equipamento.
Porém, subsiste um mistério, como anteriormente referimos. Porque é que chegam à Terra muito menos neutrinos dos que são previstos teoricamente?
Haverá qualquer coisa que ainda não foi bem compreendida nessa partícula fantasma, ou haverá algum erro importante, nos mais recentes modelos que procuram explicar o funcionamento do Cosmos?

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

PUBLIQUEI UM NOVO LIVRO DE POEMAS (o 17º).

ESTOU A PROMOVÊ-LO NO MEU BLOG DE POESIA.
NO ENTANTO, NÃO QUERO DEIXAR DE MOSTRÁ-LO AQUI.
Para os interessados deste blog, ele vai acompanhado do meu livro de astronomia para amadores "A TERRA E AS ESTRELAS".
O preço global é de cinco euros.

Pedidos directamente neste blog, ou para vieiracalado@gmail.com

DESDE JÁ O MEU OBRIGADO

sábado, 16 de fevereiro de 2008

COMETAS (3)

O registo mais antigo da observação de um cometa, foi feito por um astrólogo da corte imperial chinesa, no ano já distante de 1.059 a. C. Nesse tempo, e durante séculos, não era possível observar a esmagadora maioria dos cometas que passavam muito longe da Terra, ou que tinham pequeno porte.
Quando foi possível usar chapas fotográficas, muitos astrónomos começaram a detectar cometas de exíguas dimensões visuais, fotografando a mesma região do céu, noites e noites a fio e comparando depois as chapas. Se aparecia algum ponto de luz que não estivera lá, nas noites anteriores, então, era provável que se se tratasse dum cometa. Posteriores fotografias permitem saber ao certo do que se tratava e, se fosse um cometa, determinar-lhe a órbita e saber da possibilidade de ser observável a olho nu. Esta técnica ainda é usada. Os primeiros contactos visuais acontecem quando esses astros ainda se encontram muito longe, por vezes entre a zona das órbitas de Júpiter e Marte.
No passado recente (e ainda hoje) eram os astrónomos amadores que se dedicavam a procurar cometas. No entanto, particularmente depois da entrada em operações do telescópio espacial Hubble, muitos desses astros são detectados, em primeiro lugar, por esse potente instrumento óptico. E, para além de outras observações que permitem descortinar todos os recantos do céu, com uma nitidez sem par, o Hubble está a ser utilizado para vasculhar nas regiões que estão logo a seguir à zona da referida órbita de Plutão. Procura a famosa Cintura de Kuipper, imaginada pelo astrónomo Gerard Kuipper, em meados do século passado, já que, em 1992, telescópios terrestres detectaram, pela primeira vez, cerca duns vinte corpos cobertos de gelos para além da citada órbita de Plutão. Os primeiros cálculos indicam que esse repositório deverá ter uns 200 milhões de corpos. Encontra-se a umas 500 vezes a distância entre a Terra e Sol. A região do céu que está a ser rastreada, situa-se na constelação do Touro. Nessa região, o fundo galáctico apresenta poucas nebulosas e galáxias que poderiam baralhar as pesquisas.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

COMETAS (2)

Cometas #2

Na verdade, um cometa típico apresenta uma espécie de cabeleira envolvendo o seu núcleo brilhante e uma longa cauda, que pode dar a ideia dum cabelo muito comprido e esguio, que se encontra sempre na direcção oposta ao Sol, por efeito do vento solar que a empurra nesse sentido. Certas caudas podem atingir os 150 milhões de quilómetros de extensão, a distância Terra/Sol!
Passam a maior parte do tempo nas profundezas do Sistema Solar, gelados.
Geralmente descrevem trajectórias elípticas de grande excentricidade e voltam regularmente. Outros, porém, só por cá passam uma vez, por descreverem órbitas hiperbólicas, e não mais regressam.

Por múltiplas razões, os cometas são astros importantes, embora para a maior parte dos humanos, eles sejam apenas estranhos, raros e intrigantes, ou belos.
Já lá vai o tempo em que eram considerados portadores de mensagens ameaçadoras e funestas, ou bons presságios, para outros…
Porém, hoje em dia, e embora se saiba exactamente o que são e a razão por que nos visitam, ainda causam perturbações a muita gente e trazem para a ribalta a ignorância atávica de alguns habitantes do planeta.
Terão sido observados desde sempre. Alguns deles não poderiam passar desapercebidos aos nossos antepassados de antanho, quanto mais não fosse pela sua forma e luminosidade, parecendo pairar nos céus nocturnos. Vários, de entre eles, até foram visíveis em pleno dia!
A maioria dos que estão catalogados foi descoberta no século XX, depois da utilização generalizada dos bons telescópios que conseguem vislumbrar os que são invisíveis a olho nu.
Há uns 1000 que já nos visitaram pelo menos uma vez. Desses, uns 120 são regulares visitantes. E todos os anos se descobrem uns dez ou doze novos cometas.
Ganham o nome do seu descobridor (ou descobridores), a que se ajunta um código de números e letras.
Mas os cometas realmente magníficos, os que facilmente podem ser vistos por qualquer pessoa, só aparecem, em média, um por década.

A gravura mostra o cometa Halley, representado na célebre tapeçaria de Bayeux (Normandia), na Idade Média.


Ver também COMETAS (1) de 22 de Outubro

(continua)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O SOL (CONTINUAÇÃO)

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O Sol #4
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O Sol está apenas a cerca de oito minutos-luz, comparado com os 4,5 anos-luz a que se encontra uma estrela do sistema de Centauro, a segunda mais perto de nós. A distância da Terra ao Sol é de 150 milhões de quilómetros.
A radiação solar é muito complexa. Ela é composta não só pela luz visível (que podemos admirar pelas cores do arco-íris), mas também por raios ultravioletas, infravermelhos, ondas rádio, raios x e neutrinos que são invísiveis. Da parte que nos chega sob a forma de radiação electromagnética, cerca de metade é luz visível.
Algumas das radiações, mesmo se em pequenas quantidades, são perigosas para a saúde ou, mesmo, incompatíveis com o nosso sistema vegetativo. Entre toda uma enorme gama de radiação, o Sol envia-nos raios x, que, como se sabe, são mortais, se absorvidos continuadamente pelo nosso protoplasma. Felizmente, eles não chegam à superfície do nosso planeta, pois são absorvidos pela atmosfera. Também uma parte dos ultravioletas é filtrada pelo ozone das altas camadas da atmosfera terrestre, iludindo, portanto, as medições que se fazem nos observatórios astronómicos implantados um pouco por todo o lado, no Mundo. O mesmo sucede com os raios cósmicos. Ao penetrar na atmosfera do planeta, são literalmente desfeitos noutras partículas que, após essas transformações, seguem na direcção da superfície terrestre, sem causar grandes danos.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

GALILEU




A PRIMEIRA LUNETA ASTRONÓMICA

A primeira luneta astronómica de que há memória, foi construída por Galileu Galilei. Tratava-se dum aparelho óptico rudimentar, que pode ser considerado o percursor dos modernos telescópios. O mês de Janeiro de 1604 ficou para a história da astronomia, como a data em que, através dela, o célebre sábio de Florença descobriu as quatro mais importantes luas de Júpiter – Io, Europa, Ganimedes e Calisto, por ordem de proximidade ao planeta. Também foi ele o primeiro a provar a realidade do sistema heliocêntrico (que tinha sido proposto por Copérnico), refutando a antiga crença de que a Terra era o centro do Sistema Solar e do Universo. Para além disto, nos domínios da astronomia –, foi ele o primeiro a observar e calcular a altura das montanhas da Lua, baseando-se nas sombras que o Sol projecta nas suas crateras, e a verificar a existência de fases, no planeta Vénus, à imagem do que se passa com as conhecidas fases do nosso satélite natural. O céu que observara através da luneta, também lhe permitiu concluir que a Via Láctea não era uma nuvem (como até aí se julgava), mas sim um enorme conjunto de estrelas, a galáxia de que o Sol faz parte.
Hoje sabe-se que esse número é superior a cem mil milhões (100. 000. 000. 000).

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

NATAL (2)

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Poema de Natal #2
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A ideia de Natal é uma ideia em construção
uma casa comum de barro generoso
feito do sangue e da probabilidade duma cidade
cheia de luz, emergindo sobre o obscuro impulso

num promontório temível que despedaça as águas
impelidas por vento que vem do chão.

Evocar o Natal é uma ideia de harmonia
entre os naturais irmãos da terra, o decurso
duma semente que floresce
ao calor dum gesto sempre inacabado.

Façamo-lo hoje, antes do cair da tarde
que se levanta em sombras sobre o dia morto
para que a manhã se abra aos pássaros
voando sobre as nossas cabeças em liberdade.


inédito

sábado, 15 de dezembro de 2007

RADIAÇÃO SOLAR

O Sol#2
A radiação que chega até nós, vinda do Sol, é de natureza diversa e envolve uma série de fenómenos diversos. Para os povos mais antigos, ela resumia-se à luz visível e, mesmo assim, essa luz parecia ser una e indivisível. No entanto, os estudos do inglês Thomas Young, vieram a mostrar a realidade dessa luz. Ela, de facto, é composta de várias luzes diferentes, que podemos verificar (e apreciar) num arco-íris. Quando se dá esse belo fenómeno atmosférico, a luz solar é decomposta em luzes de sete cores diferentes. O mesmo se passa quando a fazemos atravessar o prisma óptico, em laboratório. Ao atravessar o prisma de vidro ou a viajar por entre as gotículas de água que se mantém em suspensão depois da chuva, o conjunto da ondas luminosas que compõem a luz solar, é fraccionada segundo as suas características electromagnéticas. A cada uma dessas cores corresponde um diferente comprimento de onda da radiação solar e cada uma dessas luzes tem características físicas diferentes. Por exemplo, ela é mais fria e mais penetrante nas imediações do violeta e mais quente e menos penetrante, nos vermelhos.
No entanto, a radiação solar não se esgota nestas sete cores e seus correspondentes comportamentos físicos. Além dos raios ultravioletas, que têm um efeito nocivo e perigoso na pele dos veraneantes (mas também no resto da fauna e da flora do planeta...), particularmente se se trata dos ultravioletas duros, que são os mais penetrantes, temos ainda a os raios x e os raios gama, muito mais perigosos que os ultravioletas. O ozone e a atmosfera protegem-nos dessas radiações mortíferas.
Ainda a considerar, na radiação solar, o efeito dos raios cósmicos que, como o nome sugere, parecem vir do Cosmos longínquo. Mas assim não é. Eles chegam-nos de todas as zonas do espaço cósmico e são oriundos de estrelas comuns, inclusivamente do Sol. São entidades como núcleos de hélio e até núcleos de elementos pesados. Chegam à Terra com velocidades apenas um pouco inferiores à velocidade da luz e geralmente não atingem a superfície do nosso planeta. Como são de dimensões idênticas ao oxigénio ou ao azoto da atmosfera, chocam com esses elementos ao entrar nas altas camadas atmosféricas, produzindo fenómenos interessantíssimos que são estudados atentamente na física atómica.
Para finalizar, vamos referir os neutrinos. O número de neutrinos que chega à Terra é colossal. Têm características que os tornam quase indetectáveis, porque são partículas electricamente neutras (tal como os fotões), e ainda muitíssimo mais pequenas que eles. Assim, não são atraídos ou repelidos pela matéria comum e passam facilmente por entre ela, sem esbarrar com os núcleos de todos os elementos da natureza (atravessam o nosso corpo, em todos os sentidos, sem que demos por isso e sem nos causar qualquer dano), podendo também atravessar de lado a lado toda a Terra (e mesmo o Sol), sem praticamente interagir com a matéria.
A existência desta partícula quase fantasma, tinha sido proposta pelo físico austríaco Pauli, em 1930, para tentar explicar determinados problemas que se punham com a desintegração do neutrão. Mas foi o Enrico Fermi, ainda no mesmo ano de 1930, que elaborou um modelo para o átomo, que incluía o neutrino. Como era italiano, chamou-lhe neutrino, ou seja: pequeno neutrão.
A existência da partícula acabou por ser provada. Porém, subsiste um mistério. Porque é que chegam à Terra muito menos neutrinos dos que são previstos teoricamente?
Haverá qualquer coisa que ainda não foi bem compreendida nessa partícula fantasma, ou haverá algum erro importante, nos mais recentes modelos que procuram explicar o funcionamento do Cosmos?
Recentemente, pensa-se que se transformam, pelo caminho.

domingo, 18 de novembro de 2007

ÚLTIMAS

Este cometa Holmes tem sido motivo de observações várias, não só de amadores, como de profissionais e até do próprio telescópio espacial Hubble. Depois duma explosão no dia 23 de Outubro, o cometa começou a expandir-se, sendo visível à vista desarmada. Continua na mesma zona do céu e é possível vislumbrá-lo junto à estrela mais brilhante da constelação Perseu, mais ou menos a meio caminho entre as Plêiades (vulgo sete estrelo) e a Cassiopeia (que parece um W). Tudo isto, ao alto do céu, não longe da Estrela Polar. É visto como uma muito pequena bola ténue. Ele encontra-se a uma distância comparável à que nos separa do Sol e é, neste momento o maior objecto do Sistema Solar! Isso é devido à enorme "cabeleira" que desenvolveu. No entanto a sua matéria é extremamente rarefeita e as dimensões que apresenta só podem ser vistas com bons telescópios. São as notícias que chegam do telescópio franco-canadense de Havai, no monte Mauna Kea. Na imagem, também se pode ver Saturno, por comparação.
Quanto à chuva de estrelas, ontem consegui ver duas, mas o céu estava nublado e não deu para mais. Creio que as notícias (segundo a meteorologia), não deixam grandes esperanças, para as regiões do Norte e Centro. De todas as maneiras, nada comparado com o que aconteceu em 1999, 2001 e 2oo2, onde foi possível observar milhares de ocorrências por hora!
.A astronomia de amadores é assim. É preciso muita paciência.

Créditos: Robert Roy Britt

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

CHUVA DE ESTRELAS CADENTES - LEÓNIDAS




















Ainda não tínhamos tido ocasião de referir estes curiosos eventos celestes que acontecem regularmente e podem facilmente ser vistos, sem auxílio de quaisquer instrumento óptico. São vários os períodos do ano, em que eles acontecem. A presente "chuva de estrelas" é conhecida por Leónidas, já que os rastos luminosos parecem vir dum “radiante”, na constelação de Leão. O que será observado é o resultado da queda de pequenos fragmentos de matéria vinda do Espaço, na atmosfera terrestre. A enorme velocidade a que entram nas altas camadas da atmosfera e o aquecimento a que ficam sujeitas devido à fricção, provoca a sua combustão. Esses fragmentos provêm dum cometa periódico (o Tempel-Tuttle). Neste momento, a Terra cruza a sua órbita. A “chuva de estrelas” a que nos referimos, já se mostra desde o dia 14, mas é no próximo fim de semana que ela será mais importante, particularmente depois da meia-noite de Sábado, aí pelas 3 da manhã. Saturno estará na constelação de Leão e isso ajudará a localizá-la. É preciso olhar para Leste, para uma zona não muito alta do céu. A zona do "radiante" só começa a “nascer” depois da meia-noite. As estimativas dizem-nos que no máximo poderão ser vistas umas 33 "estrelas cadentes", por hora. No entanto, devo dizer (e para não defraudar altas expectativas), que estas previsões são muito falíveis, mas há sempre a esperança dum acontecimento excepcional como o que se deu no dia 13 de Novembro de 1833, observado desde o Canadá até ao México, tido como o maior da história, aqui desenhado por um artista da época, com se pode ver na gravura.

Créditos Carta Celeste Observatório Astronómico de Lisboa

SCLARECIMENTO: Devido à actualidade deste evento, decidimos recolocar a postagem sobre magnitudes, para data posterior.

sábado, 10 de novembro de 2007

AINDA O HOLMES

O cometa Holmes continua visível, no céu.

A cabeleira está maior, embora a sua magnitude tenha descido.

Isto é: perdeu intensidade, o seu brilho.

Na carta celeste que mostramos, cortesia da revista de astronomia Sky and Telescope, mostramos a sua localização. Deve-se olhar para os céus altos na direcção de noroeste. Como ponto de referência procurar a constelação Cassiopeia, que é bem visível pois as suas estrelas parecem formar um W. Aproveitar este fim de semana, ao cair da noite, antes que a Lua venha por aí, de novo, a estragar tudo...

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

AINDA O COMETA


Têm chegado até mim, muitas imagens do cometa Holmes. Não resisto a publicar esta, de Carlos Gouveia, que é, de facto, muito bonita. Convém esclarecer que esta e outras imagens que aqui têm aparecido, são obtidas através de telescópios, em exposição mais ou menos prolongada, e depois tratadas.

domingo, 4 de novembro de 2007

A CAUDA


COMETA HOLMES


Desde as primeira imagens do cometa, que era patente um núcleo rodeado de farta cabeleira. Mas agora pode-se ver também uma cauda, o que é característico dos cometas típicos: núcleo, cabeleira e cauda.
A imagem foi colhida pelo astrónomo Mário Santiago

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

COMETA 17/P HOLMES



Foi há mais de cem anos que este cometa foi descoberto, em 1892, pelo astrónomo inglês que lhe deu o nome. Curiosamente a sua órbita situa-se entre os planetas Júpiter e Marte, encontrando-se por estes dias a mais duzentos e vinte milhões de quilómetros da Terra. É um cometa periódico, com um período de quase 7 anos. Quando, desta vez, foi avistado, tinha uma magnitude de 17. Isto é: completamente impossível de ser visto, a não ser por meios ópticos de grande alcance. No entanto, e sem que e saiba bem porquê, passou rapidamente a ostentar um brilho que permite ser observado à vista desarmada, próximo da magnitude 3, nas imediações da constelação Perseu. Neste momento, o seu brilho diminui, embora se esteja a aproximar-se de nós.

crédito Paulo Barros

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

ÚLTIMA HORA

.....COMETA. HOLMES

Sem grandes entusiasmos, para não defraudar as expectativas dos mais optimistas (o objecto encontra-se a uma distância superior à que nos separa do Sol), aqui se dá conta do que era a localização do cometa 17P/Holmes, onteontem, dia 24).
Não sendo um cometa espectacular, longe disso, como foi o recente Hale Bopp, na década de 90, será um bom teste às nossas capacidades de observação. Ele pode ser viso à vista desarmada, quase ao alto, junto à constelação de Perseu e distingue-se, com uma certa facilidade, duma vulgar estrela. Utilizando um binóculo (por exemplo de 8 x 30), nota-se-lhe perfeitamente a cabeleira redonda, de apreciáveis dimensões. Obviamente que a poluição luminosa das localidades será um grande obstáculo à sua visualização. A Lua, por estes dias, também perturba. Por isso, para os que são verdadeiramente amadores destas coisas, sugere-se que se desloquem para um sítio muito escuro, com uns binóculos e um tripé. Sem isso, o binóculo de nada serve, pois não se consegue manter a mesma posição.

imagem de artista

créditos: www.apolo11.com