No âmbito do Ano Internacional da Astronomia, têm sido desenvolvidos por todo o país, diversos projectos, observações e palestras sobre Astronomia.
Na minha modesta contribuição, acedendo a um amável convite da Direcção da Escola Secundária Pinheiro e Rosa, de Faro, proferi no pretérito dia 22, nessa Escola, uma palestra sobre temas candentes da Astronomia.
Na circunstância dissertei sobre “A comunicação presencial e não presencial, ao nível galáctico”, perante um anfiteatro onde se encontravam alunos de 5 turmas do 11º e 12º anos, dos ramos das ciências, professores das respectivas disciplinas e algum público.
Aproveito a oportunidade para publicamente agradecer o convite, particularmente à Professora Suzel Nogueira, que tanto esmero pôs na consecução do evento, organizando todo o processo e expondo na Biblioteca (durante uma semana) um quadro com fotografias, minha bibliografia e biografia, alguns dos meus livros e outros materiais.
E também o livro sobre a vida e obra do patrono da Escola, da autoria da Professora Maria Armanda Mesquita bem como um belo quadro alusivo, elaborado pelos alunos, que me foram oferecidos, no final da sessão. Também me sinto muito honrado por me terem convidado para, no próximo ano lectivo, voltar a falar de Astronomia, nessa Escola.
Sagitário é uma das constelações do Zodíaco. O seu principal interesse astronómico deve-se ao facto de projectar-se nas regiões centrais da Galáxia. É representado na Mitologia por um centauro – uma figura fantástica, meio homem meio cavalo. Está armado com um arco e uma flecha que aponta para o Escorpião (outra constelação do Zodíaco). Curiosamente, as estrelas de Sagitário, tem nomes que remotam aos árabes: Rukbat – o joelho, Ascela – a axila, Al Nash – a ponta da seta (apontada ao ferrão do Escorpião), Nunki – o peito do centauro. A posição da constelação implica que ela seja muito rica em nebulosas e aglomerados de estrelas. É necessário utilizar instrumentos ópticos para poder visualizá-los a todos. Para alguns deles, basta um bom binóculo. Três nebulosas merecem destaque, na banda da luz visível: a nebulosa do Lago (M8),- na gravura, a M 17 (NGC 6618) - nebulosa da Ferradura ou Ómega, e a Trífide, M 20, a 50 mil anos-luz. Todos estes objectos são conhecidos pela letra M e um número de catálogo que foi elaborado por Charles Messier, em 1764.A designação NGC é dum catálogo mais recente.
Quanto aos aglomerados de estrelas, ou cúmulos, podemos ver o M22 (NGC 6656), de umas 70. 000 estrelas, que é um dos mais chegados ao Sol, apenas a 10 anos-luz. Num outro, M 23, haverá apenas umas 130 estrelas, bem distanciadas, por isso se lhe chama aglomerado aberto. Não muito diferente é o M 25, a uns 2 000 anos-luz, de 86 estrelas. Mas, na região, há uma multidão de outros, só perceptíveis com bons instrumentos ópticos. No entanto, se observarmos na faixa dos raios x e nas ondas-rádio, podemos dar-nos conta de qualquer coisa de verdadeiramente extraordinário: provavelmente o efeito produzido por ondas de choque de super-novas (grandes e pesadas estrelas em estado explosivo) que aqueceram as nuvens de gás a milhões de graus e que alimentam o que se crê ser um buraco negro, denominada Sagitário A.
. Às estrelas principais de uma determinada constelação são atribuídas letras gregas e a designação latina (o genitivo ). Assim, Aldebaran, um nome que vem dos árabes, uma gigante vermelha, é a alfa de Taurus. Geralmente é atribuída a letra alfa, a primeira do alfabeto grego, à estrela de maior brilho. Segue-se beta, gama, delta, etc. Estas designações tiveram origem no século XVII e foram instituídas por Bayer, em 1603. Mas as constelações não se limitam às estrelas mais brilhantes. Outras há, por vezes de fraca luminosidade, que também lhes dizem respeito. Estas nomenclaturas, para além do nome e consequente localização da própria constelação, servem para melhor referenciar outros “objectos” do espaço que elas parecem projectar no céu, vistas por nós, da Terra. Por exemplo, nebulosas, cúmulos de estrelas, galáxias distantes. Ou ainda, num dado momento, a posição dum qualquer planeta, asteróide, ou cometa. São uma ajuda preciosa, principalmente para os amadores que não possuam instrumentos que localizam todos os objectos, por intermédio das coordenadas celestes. .
A nossa galáxia (a Via Láctea, ou Estrada de Santiago), faz parte dum conjunto chamado Grupo Local, que inclui a Andrómeda, as duas Nuvens de Magalhães, Fornax, Leo I e Leo II, Escultor, Draco e Carina, entre outras. Estas galáxias, por sua vez, têm pequenas outras que lhes estão directamente associadas. Por isso também se lhes chama galáxias satélites. Uma das mais conhecidas é a do Triângulo, subsidiária da espiral gigante Andrómeda. As duas Nuvens de Magalhães (assim chamadas porque terão sido vistas pela primeira vez por europeus, durante a célebre viagem de circun-navegação, em 1519, pelos tripulantes da armada do navegador luso, no hemisfério austral), são visíveis a olho nu, no dito hemisfério. No entanto, sabe-se que os mais antigos registos já dão conta da sua existência. Esse registo atribui a um persa, Al Sufi, o seu visionamento, em 964 a.C. A Galáxia, uma estrutura com uma forma espiralada, com três braços distintos, é quase plana, tendo um diâmetro de mais de cem mil anos-luz. Como tudo (parece), no Universo, está em rotação, perfaz uma volta completa em 220 milhões de anos. Assim sendo, o Sol já deu umas 25 voltas, juntamente com as outras estrelas, desde a formação da Galáxia, há uns 5 500 milhões. Estes números surgem porque se conhece a idade do Sol, a partir do seu hidrogénio já foi transformado em hélio.
Volta e meia surgem notícias da descoberta de novos planetas, doutras estrelas.
Até hoje já se conhecem mais de trezentos.
A incansável busca destes exoplanetas, visa, em última instância, encontrar algum que seja semelhante à Terra.
Semelhante, em vários aspectos: massa, constituição rochosa e distância à estrela. Estes três parâmetros são essenciais para o desenvolvimento da vida que nós conhecemos.
Mas há outros a considerar. Por exemplo, a idade e tipo da estrela.
Recentemente, a Organização Europeia para a Pesquisa Astronómica no Hemisfério Sul, anunciou a descoberta do mais pequeno planeta fora do nosso Sistema. Tem quase o dobro da massa da Terra e, pensa-se, é de constituição rochosa. Encontra-se a 20 anos-luz, de nós, uma pequena distância (em termos astronómicos), na constelação Lira.
No entanto, a pequena distância a que se encontra da estrela (dum sistema apelidado de Gliese 581), torná-lo-à, porventura, demasiado quente para poder albergar vida.
O cometa Shoemaker-Levy 9 foi a grande sensação dos primeiros anos da década de noventa. Na realidade ele transformara-se numa fileira de nove corpos distintos. Pouco depois de ter sido descoberto, os seus descobridores, Shoemaker e Levy deduziram que ele tinha uma órbita muito elíptica e que iria passar próximo do planeta Júpiter, possivelmente em rota de colisão.
Quando passou por Júpiter, provavelmente a uns 100 mil quilómetros, a enorme força atractiva do maior gigante gasoso do Sistema Solar, fragmentou o cometa.
Os fragmentos foram observados pelos telescópios da Terra e também pelos satélites artificiais HST e Galileu, entre outros. Esses fragmentos (em número de 21, os maiores) acabaram por cair no planeta, um a um, proporcionando um espectáculo único, em 1994.
Calcula-se que, originariamente, o cometa deveria ter um diâmetro da ordem dos dez quilómetros e que os seus fragmentos maiores poderiam ter entre 1 e 3 quilómetros de diâmetro.
A queda desses fragmentos provocou efeitos espectaculares, bem nítidos e nunca antes observados, na atmosfera de Júpiter, visíveis até Fevereiro de 1995.
. Na imagem: o cometa já fragmentado, a caminho de Júpiter. Imagem Google
O Sol está apenas a cerca de oito minutos-luz, comparado com os 4,5 anos-luz a que se encontra uma das estrelas do sistema de Centauro, a segunda mais perto de nós. A distância da Terra ao Sol é de 150 milhões de quilómetros.
A radiação solar é muito complexa. Ela é composta não só pela luz visível (que podemos admirar pelas cores do arco-íris), mas também por raios ultravioletas, infravermelhos, ondas rádio, raios x e neutrinos que são invisíveis. Da parte que nos chega sob a forma de radiação electromagnética, cerca de metade é luz visível.
Algumas das radiações, mesmo se em pequenas quantidades, são perigosas para a saúde ou, mesmo, incompatíveis com o nosso sistema vegetativo. Entre toda uma enorme gama de radiação, o Sol envia-nos raios x, que, como se sabe, são mortais, se absorvidos continuadamente pelo nosso protoplasma. Felizmente, eles não chegam à superfície do nosso planeta, pois são absorvidos pela atmosfera. Também uma parte dos ultravioletas é filtrada pelo ozone das altas camadas da atmosfera terrestre, iludindo, portanto, as medições que se fazem nos observatórios astronómicos implantados um pouco por todo o lado, no Mundo. O mesmo sucede com os raios cósmicos. Ao penetrar na atmosfera do planeta, são literalmente desfeitos noutras partículas que, após essas transformações, seguem na direcção da superfície terrestre, sem causar grandes danos.
, * Foi em 1947, depois de acabar a Grande Guerra que assolou a Europa e o Mundo, que o piloto Kenneth Arnold, nos U.S.A. que disse ter visto nove objectos voadores brilhantes que subiam a mais de 1.500 Km/h. Foi então que se começou a falar de discos-voadores. . * Vista do espaço, apenas a poucas centenas de Kms de altitude, a Terra enche metade do céu. . * Montgolfier construiu o 1º balão aeróstático em 1783, em Avingnon. Numa gaiola iam um pato, um carneiro e um galo. . * Entre dois astros, por exemplo entre a Terra e o Sol, há pontos onde as forças gravíticas emanadas, se anulam. Um deles é o Ponto Lagrange 1 - a 1,5 milhões de kms da Terra . Dele se aproveitam os cientistas para colocar satélites artificiais. No ponto Lagrange 1 encontra-se o satélite Soho, para observação contínua do Sol. . * Chamava-se Koroliov, o percursor da astrofísica russa. Ele foi o obreiro do sputnik, (o primeiro satélite artificial). Também sob a sua tutela estiveram a cadela Laika (o primeiro ser vivo a voar para fora da Terra), Gagarine, a 1ª mulher no espaço e ainda a sonda que primeiro foi à Lua, deixando placas de foices e martelos espalhadas na sua superfície. Foi também o responsável pelo foguetão N1 que deveria levar um homem à Lua. Mas o dito explodiu num ensaio. . * Se fizéssemos corresponder o Universo a uma nota musical, essa nota deveria ser um dó! Porquê? Porque a energia (remanescente) do Universo, ou seja, a radiação que nos cerca por todos os lados e que é o resultado do Big Bang, apresenta um pico de frequência que corresponde a 26 oitavas acima do último dó, a mais alta nota dos nossos pianos! O curioso é que o grande Johannes Kepler (1571-1630), dizia que “a Terra trautea, na música das esferas, até à eternidade, as notas fá e mi”, (fami – em latim fome!)
A Via Láctea, vista durante o Verão, entre Cassiopeia e Sagitário
Formação da Via Láctea, segundo a Mitologia
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Uma galáxia é um conjunto de variados objectos celetes e estrelas que, muito vezes, atinge as centenas de milhares de milhões, com é o caso da nossa. Quando a ela nos referimos, convencionou-se escrever com g maiúsculo - Galáxia. Se olhamos para um céu nocturno, sem nuvens, fora da poluição luminosa das cidades, podemos ver cerca de 2 000 estrelas. Mas, numa cidade, os nossos olhos não conseguem vislumbrar além de umas duzentas. Também poderemos ver parte da Galáxia, se a noite for escura e límpida. Ela aparece-nos como uma mancha comprida, esbranquiçada leitosa, donde, aliás, lhe vem o nome. Deriva do grego galaktikos, que significa branco leitoso. Segundo a mitologia, a galáxia teve origem em Hera, mãe de Hércules. Esta personagem, um dia, quando era ainda bebé, apertou com tanta força as mamas da mãe, que uma grande quantidade do seu leite se derramou pelo céu, originado a mancha que podemos ver, desde a Terra! .
O ano de 1054 da nossa era, ficou para a história da astronomia como o ano em que a primeira supernova foi descrita pelos habitantes do planeta. O acontecimento foi registado no dia 4 de Julho, pelos astrónomos Chineses da dinastia Sung, que chamaram ao fenómeno, estrela convidada. Mas também, por outros povos da Terra. Os índios Navajos, de Chaco Canon, no Novo México, gravaram o fenómeno, numa pedra, tendo o cuidado de aí colocar a Lua, na sua correcta fase, e algumas estrelas próximas, tal como observaram. Isso permitiu que os modernos astrónomos soubessem que o fenómeno registado por esses índios americanos, fora o mesmo que os chineses registaram. O que aconteceu foi qualquer coisa de verdadeiramente surpreendente. Numa região do céu, na constelação do Touro, onde não havia nenhuma estrela proeminente, apareceu, subitamente, um luzeiro de grande intensidade a aumentar o seu brilho, de noite para noite, de tal maneira que, em poucos dias, o seu resplendor chegou a atingir cinco vezes o do planeta Vénus e ser claramente visível, em pleno dia! Tratava-se duma supernova, ou seja: uma estrela que explodiu, debitando tanta energia em poucas semanas, como o nosso Sol o tem vindo a fazer, desde há milhares de milhões de anos! Assestando os telescópios para o sítio exacto onde se verificou o acontecimento, os astrónomos de hoje podem observar uma nebulosa que, vagamente, faz lembrar um caranguejo, sendo conhecida por esse nome. Messier, um astrónomo que elaborou o primeiro mapa celeste dos tempos modernos, deu-lhe a designação de M 1. Encontra-se a mais de três mil anos luz da Terra e no seu centro está um estrela de neutrões – um pulsar – que gira sobre si mesmo, trinta vezes por segundo. Quando, a intervalos de quarenta ou cinquenta anos, se tiram fotografias ao pulsar, pode ver-se que a explosão não chegou ao fim. Na verdade, filamentos visíveis de matéria, ainda se afastam do centro, a cerca de mil quilómetros por segundo, passado que foi mais dum milénio, sobre esse tão extraordinário acontecimento!
Foi descoberto, aqui há um ano, gravitando em redor duma estrela, um planeta semelhante à Terra! A proeza deve-se a um grupo de astrónomos operando no Observatório de Genebra, na Suíça. Até agora, sabia-se que essa estrela abrigava outros dois planetas muito maiores, mas semelhantes a muitos outros já conhecidos. Foi em 1995, que se detectou o primeiro exoplaneta. Orbita uma estrela da constelação de Pégasus, e foi descoberto através dum método dito da Velocidade Radial. De lá para cá já foram encontrados mais uns duzentos, mas, todos eles têm características físicas que os colocam perto do maior dos planetas gasosos do nosso sistema, Júpiter. Podem ter as suas dimensões, ou ser ainda muito maiores. O planeta agora descoberto orbita uma estrela anã vermelha denominada Gleise 581, a cerca de 20 anos-luz de nós, tem provavelmente uma estrutura rochosa e pensa-se que tenha água. Assim sendo, poderá ter água líquida. Essa (crê-se), é uma condição necessária para o aparecimento da vida - o tipo de vida que temos. As estrelas anãs vermelhas típicas, são muito comuns na galáxia. Têm geralmente cerca dum décimo do raio solar e uma densidade umas cem vezes a do Sol. A temperatura de superfície da Gleise 581 ronda os 2.700 graus comparadas com os 5.000 ou 5.500 graus da estrela mãe do nosso Sistema Planetário. O planeta descoberto gira muito próximo da estrela mas, dado que a anã vermelha produz menos energia que o Sol, deverá ter temperaturas médias entre o zero e os 40 graus Celsius. Na Terra, a temperatura média é de 15 graus. A sua massa deverá rondar umas cinco massas terrestres e gira em volta da estrela em apenas 13 dias, um ano nosso, para os hipotéticos habitantes do planeta!
terça-feira, 10 de março de 2009
-constelações # 3
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A Ursa Menor é uma importante constelação dos nossos céus, pelo facto de incluir a Estrela Polar. Ao longo dos séculos, essa estrela tem sido a referência do Polo Norte. Por isso, era quase imprescindível para os velhos navegadores dos oceanos setentrionais. E, por isso mesmo, de nada servia para os mares austrais. Aí, a referência do Polo Sul é a Cruzeiro do Sul. Esta última, de tal maneira era importante, que figura na bandeira brasileira! Curiosa é a história mitológica desta constelação, com de resto, de quase todas as outras. A imagem que reproduzimos é bem elucidativa. Os antigos viam, inscrito nesse agrupamento de estrelas, uma ursa! Bem poderiam ter visto um macaco, um determinado herbívoro ou felino, ou uma qualquer outra imagem, por exemplo, uma caçarola. O caso é idêntico ao que envolve todas as outras constelações do Zodíaco. Os astrólogos antigos viram um touro num determinado grupo de estrelas e, então, os nativos do Touro terão as características do touro! Nada mais discriminatório. No caso vertente, a história mitológica começa em Cronos, um dos antigos deuses. Com tinha sido profetizado que um dos seus filhos o destronaria, Cronos não fazia por menos: comia os filhos à nascença! Um desses filhos, Zeus, acabou por ser salvo e passou a ser o deus supremo, conforme a profecia também suprema! Continua numa próxima postagem
A religião da Antiga Grécia sustentava-se em mitos, deuses para todas as situações, personagens fabulosas, semi-deuses e heróis humanos transformados em divindades.
Os deuses eram entidades superiores, imunes ao perpassar do tempo, mas com aparência humana e muito frequentemente adoptando comportamentos humanos, os mais variados. Tinham a faculdade de comunicar com os homens por intermédio de quem lhes apetecesse, sem que os hospedeiros, transmissores da mensagem, tivessem qualquer conhecimento do que estavam a fazer.
E protagonizavam histórias muitas vezes belas, outras vezes vis, sórdidas, de amores proibidos, traições, vinganças e interesses, à semelhança do que fazem os homens.
Essas histórias chegaram até nós pelas lendas, cânticos, icnografia, poemas e outras obras literárias, e descrições transmitidas geralmente pela tradição oral.
A história sobrenatural de Andrómeda começa com sua mãe, Cassiopeia, que se gabava ser mais bela que as próprias Nereides, umas formosíssimas ninfas, filhas do deus do Mar. Estas, ofendidas com o desplante, queixaram-se ao pai, o tal deus do Mar, Poseidon. E este para vingar as filhas, mandou um monstro marinho, Cetus (a baleia), para destroçar a Etiópia, cujo rei era Cefeu, esposo de Cassiopeia.
Porém, neste imbróglio meteram-se os oráculos (adivinhadores do futuro), que avisaram Cefeu do que se iria passar, podendo ele remediar a questão se sacrificasse a filha, Andrómeda. Então, para salvar o seu povo, Cefeu mandou amarrar Andrómeda a um rochedo para ser devorada pelo monstro.
A história haveria de acabar em bem, pois, entretanto, surgiu em cena o herói Perseu, que matara a Medusa, cortando-lhe a cabeça. Mostrando-a a Cetus, transformou-a em pedra, na própria rocha, e salvou a princesa. Como resultado destes extraordinários acontecimentos, e no que à Astronomia diz respeito, Andrómeda foi posta no céu, em forma de galáxia e Perseu, de constelação.
Está um cometa, nos nossos céus! Trata-se do cometa Lulin (C/2007 N3), descoberto em 2007 por um grupo de astrónomos de Taiwan e da China.
Tem uma cor esverdeada, o que não é habitual. E pensa-se que será a primeira vez que se chega até nós. A análise espectral da sua cauda induz essa possibilidade. A cor verde é dada pelo cianogénio - um veneno violento - e pelo carbono diatómico. E ostenta uma anti-cauda, o que só no princípio deste mês, pôde ser vislumbrada. Não é que não se tenha ainda visto essa curiosa ocorrência, mas não é muito comum. Quando foi descoberto, em 11 de Julho de 2007, com uma magnitude 18.8 (portanto só acessível a muito potentes telescópios), os seus descobridores pensaram que se tratava dum asteróide.
A maior aproximação à Terra será no próximo dia 24 de Fevereiro – o perigeu –, quando estiver a uns 60 milhões de quilómetros. A magnitude prevista para essa altura é de 4, o que permitirá ser facilmente observado à vista desarmada, tanto mais que nunca se afastará da elíptica (a linha imaginária por onde passam os planetas). Além disso a Lua (dada a sua fase), não perturbará a observação.
Para o observar, na noite de 23 para 24 de Fevereiro, virtualmente no seu brilho máximo, o melhor é usar uns binóculos de grande angular, sobre um tripé, e assestá-los na direcção da constelação de Leão, logo ao anoitecer. O cometa estará situado a apenas 2 graus Sul-Sudoeste do planeta Saturno, também fácil de identificar. Depois, à medida que a noite passa, ele irá subindo céu. A olho-nu, num céu longe das cidades, poderá ser visto como uma pequena mancha esbranquiçada.
A constelação do Cruzeiro do Sul não é visível nas nossas latitudes. Mas foi de grande importância para os europeus, antigos navegantes e descobridores das terras e ilhas austrais.
Servia de referência segura, para quem navegava nesses mares.
Assim como no hemisfério norte, a estrela Polar (da constelação da Ursa Menor), indica o pólo Norte, também uma das estrelas do Cruzeiro do Sul, indica o pólo austral.
Trata-se da estrela α (alfa), conhecida por Estrela de Magalhães, ou Acrux, a mais brilhante da constelação e uma das mais brilhante de todo céu nocturno. Na verdade, a observação ao telescópio, mostra que a α não é uma só estrela, mas duas!
É sempre visível nessas latitudes, pois faz a circunvalação do pólo Sul celeste e nunca entra em ocaso.
Outras estrelas da constelação merecem referência: a β (beta), também muito brilhante e que se pode observar num dos braços menores do diagrama. Chamam-lhe Becrux, ou Mimosa.
No topo superior, podemos ver uma estrela avermelhada, denominada Rubídea. É, pela cor, uma estrela velha.
Uma interessante curiosidade desta constelação é que ela se encontra bem próximo duma das que compõem a constelação de Centauro, a estrela mais próxima de nós, a seguir ao Sol.
E, como se sabe, as estrelas do Cruzeiro do Sul (juntamente com outras), estão representadas na bandeira do Brasil. Todas essas estrelas representam os muitos Estados brasileiros.
Uma das razões que levam a considerar os cometas como astros muito interessantes, para além do fascinante espectáculo visual que podem proporcionar, é saber a sua constituição.
Eles são tidos, pelos astrónomos e demais cientistas, como objectos virgens, na medida em que, durante milhares de milhões de anos, se mantiveram bem longe do Sol, sem que a matéria de que são constituídos, tenha sido minimamente afectada.
Devem ter preservado, portanto, a matéria primeira de que foi feito o Sistema Planetário.
Por muitas razões estes conhecimentos são importantes. Quando se procura saber como apareceu a vida na Terra, temos invariavelmente de recuar até tempo em que isso aconteceu.
Mas não se pode ficar por aí. É preciso recuar ainda mais e tentar perceber os mecanismos que levaram a que a matéria inerte ganhasse a capacidade de reproduzir-se, crescer e dar lugar a diferentes organismos, cada vez mais complexos, num processo de evolução constante.
Embora depois da sua formação, a Terra tenha sofrido inúmeras e drásticas transformações, a grande probabilidade é que a matéria prima de que foi feita, seja é a mesma dos cometas. As proporções dos seus constituintes não é a mesma, mas isso tem muito a ver com questões ligadas à força da gravidade. Aliás, isso também é assim nos diferentes planetas e seus satélites.
Não há nenhuma razão para pensar que os elementos que temos na Terra, não existam nos outros planetas do Sistema Solar (e por todo o Universo) e, pela mesma ordem de razões, mesmo nos pequenos corpos frígidos que compõem a longínqua Cintura de Kuiper, nem a ainda mais remota nuvem de Oort, donde nos chegam os cometas.
O que é necessário é saber como começou, e em que condições, começou o fenómeno da vida. Quais eram as combinações químicas e factores outros que deram azo a que isso acontecesse.
Saber a constituição inicial do Sistema Solar, é imprescindível.
Por isso, os astrónomos e as instituições científicas que procuram desvendar estes mistérios, têm lançado diversas sondas ao encontro de determinados cometas para, de muito perto, estudar a sua constituição.
Foi o que aconteceu durante a última passagem do Halley.
Na sua direcção foram lançadas sondas (de diversos países), sendo a mais importante a sonda europeia Giotto.
A sonda, em si, tinha pequenas dimensões e pesava de 960 quilos e, esperavam os cientistas, que ela fosse capaz de manter-se o máximo de tempo possível dentro da cauda do Halley, sendo a velocidade relativa entre ambos de 245.000 quilómetros por hora!
A sua missão era obter de fotografias a cores obtidas de muito perto, determinar os elementos químicos da sua cauda, verificar quais e medir a produção de gazes, medir e contar o tamanho das partículas sólidas também emanadas do cometa e outras.
Para tanto, Giotto ia equipada com diversos instrumentos: uma câmara fotográfica com teleobjectiva, um painel para as diversas contagens de partículas sólidas, espectrómetros de massa, de neutrões e de iões e outros.
A Estrela de Barnard é uma estrela de pouca massa, tipo M 5, uma anã.
Da Terra, é vista na constelação de Serpentário.
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Encontra-se bem perto de nós, em termos astronómicos – apenas a 6 anos-luz.
Assim sendo, apenas as estrelas do Sistema de Centauro, se encontram mais próximas.
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Trata-se de estrela muito mais velha que o Sol, com o dobro da sua idade, ou seja: mais de 9 mil milhões de anos.
A sua cor avermelhada sugere imediatamente essa faceta.
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É completamente invisível à vista desarmada e foi descoberta pelo astrónomo americano Edward Emerson Barnard, em 1916. Daí o seu nome. Barnard foi um dos primeiros astrónomos a fotografar o céu invisível à vista desarmada e também um "caçador de cometas", tendo descoberto 16.
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Para além da curiosidade de ser uma estrela bem próxima, ela tem a particularidade de ser a que mais velozmente se desloca no céu que vemos. Na verdade, ela aproxima-se de nós a cerca de 140 quilómetros, por segundo.
Por volta do ano 12 mil, estará mais próxima do que as estrelas do citado Sistema de Centauro. Entretanto, mudará de rumo e afastar-se-à na direcção doutra região da Galáxia.
A ilha do Príncipe, no arquipélago de S. Tomé e Príncipe, antiga colónia portuguesa, está intimamente ligada à física einsteiniana e à astronomia. Em 1919, no dia 29 de Maio, deu-se um eclipse total de Sol, visível nessa ilha atlântica (e também em Sobral, no Ceará, onde erigiram um museu e um belíssimo monumento para comemorar o acontecimento), dois locais onde as condições geológicas eram propícias a um experimento que iria ter lugar. Para a ilha do Príncipe acorreram físicos e astrónomos britânicos, liderados por Stanley Eddington, enquanto outros se dirigiram ao Brasil. Aquando da fase total do eclipse, embora sob condições adversas, pois havia muitas nuvens tanto num como no outro local escolhido, foram tiradas fotografias que mostravam estrelas (de dia invisíveis) e que se podiam ver nas imediações do Sol totalmente eclipsado. Procurava-se confirmar uma das previsões de Einstein, decorrente da Teoria da Relatividade e que diz que a luz é desviada nas imediações de corpos de grande massa, como são as estrelas. Em 1905, o jovem Albert Einstein (1879-1955), estabelecera como um dos princípios básicos da sua teoria, a equivalência entre o movimento uniformemente acelerado e a acção da gravidade. A força da gravidade, segundo o físico, provoca uma deformação do espaço. Quando a luz passa próximo de corpos celestes com massa elevada, dá-se um encurvamento dos raios luminosos. Fotografado durante a noite o mesmo céu e as mesmas estrelas (sem o Sol a atrapalhar), e comparadas as posições das estrelas, mediante rigorosas medições, provou-se verdadeira a exactidão da extraordinária teoria. .
A primeira informação que houve sobre a existência e aproximação dum deste objectos à Terra, pertenceu aos astrónomos do Observatório de Monte Lemmon, no Arizona.
Foi-lhe dado o nome de 2008 TC3.
Assim que a informação foi revelada, por todo o mundo outros astrónomos começaram a seguir a sua trajectória. Os cálculos mostravam que o objecto estava em rota de colisão com a Terra e que deveria entrar na nossa atmosfera com uma inclinação duns 20 º, na região norte do Sudão.
Na verdade, no pretérito dia 7 de Outubro, à hora (2.46, Tempo Médio de Greenwish) e local previsto, o meteorito entrou nas altas camadas da atmosfera, com uma velocidade duns 30.000 quilómetros/hora e produziu uma bola-de-fogo, devido ao tremendo aquecimento que sofreu com a fricção no ar rarefeito, talvez a uns 80 ou 100 quilómetros da superfície terrestre.
O objecto, dum metro ou dois de diâmetro, acabou por fragmentar-se e cair em bocados não chegando a ser uma ameaça.
Meteoritos deste tamanho são relativamente frequentes (dois ou três, por ano). Na maioria das vezes, dada a inclinação com que entram, não são vistos. E podem cair nos oceanos, desertos, na Antártica ou, durante o dia, tornando muito difícil a sua percepção.
No entanto, se tivesse uns dez metros de diâmetro, provocaria uma explosão semelhante à bomba de Hiroshima. Felizmente, objectos com esse diâmetro são muito raros.
Este 2008 TC3 foi visível na Índia e na Europa.
Mas esta é a primeira vez que, antecipadamente se teve conhecimento duma aproximação e entrada na atmosfera terrestre.
Porque os grandes números sempre nos deixam sem a devida compreensão, aqui volto a colocar uma postagem, do ano transacto.
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A EXPOSIÇÃO DO MILHÃO
Aqui há umas boas décadas atrás, esteve patente ao público americano, uma exposição chamada simplesmente do "MILHÃO". Isto, porque toda a gente tem a consciência de que deixa de ter qualquer ideia de números que estejam fora do seu quotidiano. A exposição era simples, sem grandes adornos. Construíram um pavilhão de quinhentos metros de comprimento, com um tabique ao meio, de modo a que os visitantes pudessem entrar pela porta de acesso, seguir até ao fundo pavilhão, dar a volta para o sentido contrário e continuar a visita até sair pela porta que dava novamente para a rua. Quando aí chegavam, tinham percorrido um quilómetro, ou seja, mil metros. Colocaram mil painéis quadrados de um metro de lado, à altura dos olhos, ao longo dos quinhentos para lá e outros tantos para cá. E dentro de cada quadrado colaram mil bolinhas coloridas, de várias cores. Escusado será dizer que, mil quadrados a multiplicar pelas mil bolinhas de cada um, dá um milhão! Imaginemos o que se terá passado - a imensidão de bolinhas com que cada um foi confrontado! Não é de crer que alguém se tenha disposto a contá-las. Se o fizesse, mesmo a uma média de dois segundos por bolinha, levaria pelo menos duas semanas, dia e noite, sem parar, para contá-las todas! A opinião generalizada, mediante um inquérito feito a cada um dos que saíam, era de que, antes da exposição, não tinham nenhuma ideia, mesmo vaga, do que fosse a astronómica quantidade que representa o simples milhão. Resta dizer que, em astronomia, números destes, ou ainda bem maiores. (por exemplo, milhares de milhões, são uma constante, quando se fala de estrelas, galáxias, possíveis planetas, tempo, ou espaço.