DILEMA

https://youtu.be/K_sAgzRbMu4

sábado, 7 de agosto de 2010

PERSEIDAS - Chuva de estrelas


Perseidas
-
Uma bela e fugaz estrela cadente
 .-
Agosto é o mês da "chuva de estrelas" conhecida por Perseidas, particularmente visível no Hemisfério Norte.
O nome refere o "radiante", a região do céu donde parecem vir os rastos de luz, na constelação de Perseu – um celebrado herói da mitologia clássica.
Este fenómeno acontece todos os anos, em meados de Agosto e nem sempre regista a mesma frequência de estrelas cadentes.
Para este ano são esperadas umas cinquenta ou mais ocorrências por hora, entre os dias 12 e 13, as noites mais favoráveis à observação. Tanto mais, que nas horas de maior frequência desses rastos luminosos, a partir da meia noite, a Lua não se encontrará no céu.
Esta chuva de estrelas está associado à passagem dum cometa, o Swift-Tuttle, e tem vindo a ser descrita desde há cerca de 2.000 anos, no Extremo Oriente.  Na Europa, depois do evento do Cristianismo, esses filamentos luminosos começaram a ser conhecidos por Lágrimas de São Lourenço.
Pequenos grãos de areia deixadas pelo rasto do cometa (por vezes com as dimensões duma ervilha), permanecem numa região do espaço por onde a Terra passa anualmente, no seu movimento de translação.
À aproximação do nosso planeta, esses restos cometários são atraídos pela força gravítica da Terra e acabam por entrar na atmosfera. Chegam a uma grande velocidade e incendeiam-se aí aos oitenta quilómetros da superfície terrestre, nas altas e rarefeitas camadas da atmosfera. Isso é devido à enorme fricção que sofrem ao chocar com as molécula de ar (apesar da sua rarefacção), produzindo esses belos rastos luminosos na abóbada nocturna – as estrelas cadentes.   
 .
O "radiante", em Perseu. Mais acima a Cassiopeia (M103)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

AS DUAS SONDAS VOYAGER











Lançadas de Cabo Canaveral, em 1977, as duas sondas denominadas Voyager 1 e 2, tinham por missão chegar perto, fotografar e estudar os planetas exteriores, particularmente Saturno, Urano e Neptuno. A missão foi cumprida, mas as sondas não mais regressarão à Terra. Recorde-se que, entre muitos outros cometimentos, as Voyager descobriram várias novas luas em Júpiter e Urano e estudaram os campos magnéticos e os anéis desses dois planetas. Neste momento, a Voyager 1, que levou 12 anos a chegar a Neptuno, já se encontra bem para além de Plutão e percorre 520 milhões de quilómetros por ano, na direcção da constelação Hércules. 
Como os cientistas sabiam que a sua rota acabaria por levá-la muito para além do nosso Sistema Solar, resolveram aproveitá-la para enviar uma mensagem na direcção das estrelas. Puseram-lhe a bordo uma placa incorruptível (em ouro) com informação científica, nomeadamente a que está relacionada com todos os elementos da tabela de Mendlief, localização do Sol e da Terra, na Galáxia, entre outras. Em gravação, seguem composições musicais, saudações em cinquenta e seis línguas, incluindo uma “de baleia” e respectivas instruções para serem decifradas, a gravação do choro duma criança, além de inúmeras fotografias. Um beijo dos humanos, um tipo de peça de teatro japonês, conhecido por Shakuhachi, e outras cenas do quotidiano, poderão ajudar seres extraterrestres que a recolham, a perceber como somos. 
No entanto, mesmo viajando a essas altíssimas velocidades, a sonda só virá eventualmente a passar próximo duma outra estrela, ou dum planeta extra-solar, dentro de milhões de anos. Hoje já se conhecem centenas de planetas gravitando estrelas mais ou menos próximas. Mas ainda não foi encontrado nenhum que se possa dizer exactamente igual à Terra. 
Mesmo admitindo que exista um planeta suficientemente auspicioso, relativamente perto de nós, na rota por onde segue a nave, a probabilidade de ser habitado por seres inteligentes e tecnológicos, como nós, é quase nula. Mas mesmo assim, vale a pena tentar. Pelo menos, para os eternamente sonhadores homo sapiens sapiens, deste mundo...

sexta-feira, 30 de julho de 2010

APRESENTAÇÃO DE LIVRO

FOTOS DO LANÇAMENTO
.
Praia da Luz, ao entardecer
   .
 .
..

 .


.
Na sequência de "A Terra e as Estrelas", 
eis o meu novo livro de divulgação cultural, 
"Breve História dos Cometas".
A apresentação do livro teve lugar  
na Feira do Livro da Praia da Luz.
.
O livro esteve em promoção, ao preço de 5 €, 
e era acompanhado pela oferta 
de "A Terra e as Estrelas", da mesma colecção.
A promoção mantém-se
para os estimados utentes da blogsfera. 
.
As fotografias são de efe, a quem muito agradeço.

domingo, 25 de julho de 2010

segunda-feira, 19 de julho de 2010

O ACONTECIMENTO TUNGUSTA

 -

A Terra é bombardeada por meteoritos de vários tipos, somando mais de 2. 000 toneladas o peso do conjunto desses corpos, por ano. Ocasionalmente ainda caiem grandes meteoritos, como terá sido o caso de Tungusta, numa região remota da estepe russa, em 30 Junho 1908. O objecto (julga-se que era um cometa) explodiu quando chegou às altas camadas da atmosfera e deveria pesar 1 milhão de toneladas. Desenvolveu, ao despenhar-se, uma energia equivalente a uma bomba atómica. Derrubou milhares de árvores, matou rebanhos inteiros de renas, deitou pessoas ao chão a quarenta quilómetros e o ruído da explosão ouviu-se a milhares de quilómetros. Levantou poeiras que subiram até às altas camadas da atmosfera. Essas poeiras deram a volta ao mundo. De tal maneira que, nas noites seguintes, em Londres, se podia ler o Times à noite, dado o reflexo da luminosidade provocada pelos raios do Sol!
Hoje em dia, cerca de 7 ou 8 grandes meteoritos ainda caiem todos os anos, na Terra, mais de 2/3, no mar. Alguns podem desenvolver energias equivalentes a uma bomba como a de Nagasaki. O que recentemente explodiu no Pacífico, em Outubro de 1990, equivalia a 1000 toneladas de TNT. E também se sabe que, em média, cai um corpo de 1 quilómetro de diâmetro, em cada milhão de anos que equivale a 1 megatonelada de TNT = 100 vezes todas as bombas nucleares do mundo, a explodir ao mesmo tempo!
Recentemente, à aproximação de Júpiter, um cometa denominado Shoemaker-Levy-9 foi fragmentado pelas poderosas forças gravíticas do planeta e despenhou-se, aos bocados, nesse gigante do Sistema. A espectacular queda foi observada e fotografada desde a Terra.
Porém, a maioria dos meteoritos 
ou  cometas que viriam na direcção da Terra, despenham-se directamente no Sol, dada a sua enorme força gravítica.

terça-feira, 13 de julho de 2010

HISTÓRIA BREVE DOS COMETAS


Excerto do livro a apresentar brevemente, 
na Feira do Livro da Luz (Lagos).
  .
.-
(...) No nosso país, até tempos bem recentes, eram conhecidos (os cometas) por estrelas de rabo, e alguns deles também foram relacionados com importantes factos da história deste país, como será referido, a seu tempo.
Os chineses mais remotos, viam-nos como pincéis, os hui, com que desenham as suas letras (o que é uma tradição milenar) e, como mostra a gravura que reproduzimos, certos povos guerreiros associavam as suas formas às armas que utilizavam! (fig 11)
A palavra cometa chegou até nós pelo latim – cometa, que significava cabelo longo, e pelo grego – aster kometes (astro de cabeleira). Muitos escritores clássicos a eles se referem como estrelas cabeladas, ou estrelas cabeludas..
A expressão vem do latim: stella cometa. (...)
 .
Na fig 10, o Halley representado numa das famosas tapeçarias tecidas em lã, tingidas por pigmentos vegetais e conhecidas por Tapeçarias de Bayeux, Foram encomendadas a artesãos da catedral de Canterbury para celebrar a vitória do Duque da Normandia, Guilherme, cognominado "O Conquistador", sobre o exército inglês do rei Harold II, na famosa batalha de Hastings, em 1066. Os Normandos acreditaram que o cometa que estivera no céu, lhes tinha trazido o bom presságio da vitória
Na fig 12, o cometa Arend-Roland de 1957 que atingiu um grande brilho e tinha uma anti-cauda

sexta-feira, 9 de julho de 2010

segunda-feira, 5 de julho de 2010

A CINTURA DE KUIPER

..
Para além da órbita de Neptuno, entre as 30 e as 50 u.a. (unidades astronómicas)*, há uma enormidade de pequenos corpos que volteiam o Sol, formando uma espécie de cintura a que deram o nome de Cintura de Kuiper. O primeiro desses corpos a ser descoberto foi Plutão que, como se sabe, foi recentemente despromovido da sua condição de planeta, para ser considerado um elemento da referida cintura.
Ainda Plutão era considerado planeta, descobriram o (então primeiro) objecto da cintura que o astrónomo Kuiper propusera. Baptizaram-no de 1992 QB1, no ano aí referenciado. De lá para cá, já foram catalogados uns mil ou mais desses objectos transneptunianos. Os maiores têm diâmetros que ultrapassam os mil quilómetros, como é o caso do próprio Plutão, e de Ério e Varema, entre outros.
Estes pequenos corpos são geralmente descritos como “bolas de gelo sujo” e podem constituir-se em cometas, sempre que sujeitos a certos desequilíbrios gravíticos, ao se chegarem próximo das órbitas de Neptuno ou Júpiter. Mas também podem sofrer impulsos gravíticos que levem as suas órbitas a passarem de elípticas a hiperbólicas, sendo projectados para fora do Sistema Solar ou a só regressar às imediações do Sol, mil ou mais anos depois.
Calcula-se que a massa total dos corpos que constituem a referida cintura, não exceda um décimo da massa da Terra.
O seu conhecimento é da maior importância, porque essas bolas de gelo sujo se mantêm, provavelmente, como eram quando se formou o Sistema Solar, vai para 4.500 milhões de anos. O seu estudo permitirá perceber melhor o modo como o Sistema Solar se formou, com todas os conhecimentos científicos que daí advêm.

* 1 u.a. são cento e cinquenta milhões de quilómetros, a distância Terra/Sol.

sábado, 26 de junho de 2010

Breve História dos Cometas

 -
Do meu próximo livro "História Breve dos Cometas",  
a ser apresentado na Feira do Livro da Praia da Luz, Lagos, em Julho,
um pequeno extracto da Nota de Apresentação:  
.

O(...) O presente trabalho pretende constituir-se como leitura de fácil apreensão, que possa contribuir para aguçar alguma apetência para aprofundar aspectos relevantes da ciência astronómica.
Também tem como finalidade dar a conhecer algumas estórias – no mínimo surpreendentes… que, ao longo dos tempos, têm envolvido o aparecimento de cometas, e o seu enquadramento histórico.
 Essas estórias ficaram para a posteridade na História da Astronomia, não pelo seu valor científico, mas que, em alguns casos, envolvem factos curiosos que deverão contribuir para evidenciar a racionalidade de uns e também o obscurantismo de outros, face a desusados ou esporádicos acontecimentos celestes, desde tempos recuados, até praticamente aos nossos dias. (...)

terça-feira, 15 de junho de 2010

MEDIDAS ASTRONÓMICAS

.
Quando nos referimos a distâncias astronómicas, idades ou massas de estrelas ou planetas, ou mesmo a determinados parâmetros universais, referimos números arredondados ou, por exemplo, médias. Assim, a velocidade da luz, no vácuo, não é exactamente de trezentos mil quilómetros por segundo, como correntemente se diz. Esse número é apenas uma aproximação (arredondada) ao valor real.
Utiliza-se esse número, por duas razões: uma, é que seria necessário precisar de que vácuo estamos a falar, para dizer da verdadeira velocidade da luz, nesse meio. Aquilo a que laboratorialmente chamamos vácuo, está ainda bem longe da ausência de matéria que se verifica nos vazios interestelares, ou mesmo nos vazios intergalácticos. Mas, mesmo nessas regiões, ainda não há o vácuo.
A outra é por razões de ordem prática. Em si, o número é apenas uma aproximação. De facto, a velocidade da luz, no vácuo, é de duzentos e setenta e sete mil quilómetros e mais uns tantos metros e ainda uns tantos centímetros... e aí por diante, em cada segundo!
Do mesmo modo, a distância Terra/Sol, não é de exactamente cento e cinquenta milhões de quilómetros. Esse número é apenas a média (arredondada) entre a distância máxima e a mínima, já que a Terra não descreve uma circunferência em redor do Sol, mas sim, uma elipse. O mesmo se passa em relação à Lua. O nosso satélite natural, também não descreve uma circunferência à volta da Terra, mas sim, uma elipses alongada. Daí que, por vezes, a Lua se encontre a pouco mais de trezentos mil quilómetros de nós, e outras vezes, essa distância vá até a mais de setecentos mil quilómetros.

terça-feira, 8 de junho de 2010

OS ASTERÓIDES



Os asteróides são feitos de material deixado desde a formação do sistema solar. Uma teoria sugere que são os restos de um planeta que foi destruído numa colisão massiva ocorrido há muito tempo. Mais provavelmente, os asteróides são matéria que nunca se uniu para formar um planeta. De facto, se se juntasse a massa total estimada de todos os asteróides num único objecto, esse objecto teria menos de 1.500 quilómetros (932 milhas) de diâmetro - menos de metade do diâmetro da nossa Lua.
Muito do nosso conhecimento acerca dos asteróides vem do exame das rochas e dos fragmentos do espaço que caem na superfície da Terra. Os asteróides que estão numa rota de colisão com a Terra são chamados meteoroides. Quando um meteoroide atinge a nossa atmosfera em alta velocidade, a fricção provoca a incineração desta porção de matéria espacial, provocando um raio de luz conhecido por meteoro. Se um meteoroide não arde completamente, o que resta atinge a superfície da Terra e é chamado um meteorito.
De todos os meteoritos examinados, 92.8% são compostos de silicato (pedra), e 5.7% são compostos por ferro e níquel; o restante é uma mistura dos três materiais. Meteoritos de pedra são os mais difíceis de identificar porque parecem-se muito com rochas terrestres.
Por os meteoritos serem matéria do início do sistema solar, os cientistas estão interessados na sua composição. As sondas espaciais que passaram pela cintura de asteróides descobriram que a cintura está bastante vazia e que os asteróides estão separados de grandes distâncias. Antes de 1991, a única informação obtida dos asteróides era de observações terrestres. Em Outubro de 1991, o asteróide 951 Gaspra foi visitado pela sonda Galileo e tornou-se no primeiro asteróide a ter fotos em alta resolução. Em Agosto de 1993 Galileo aproximou-se do asteróide 243 Ida. Este foi o segundo asteróide a ser visitado por sondas espaciais. Tanto Gaspra como Ida estão classificados como asteróides do tipo S, compostos por silicatos ricos em metais.
Em 27 de Junho de 1997 a sonda NEAR aproximou-se em alta velocidade do asteróide 253 Mathilde. Este encontro deu aos cientistas a primeira vista de perto de um asteróide do tipo C , rico em carbono. Esta visita foi única porque NEAR não estava preparada para encontros em voo. NEAR era uma sonda destinada ao asteróide Eros em Janeiro de 1999.
Os astrónomos estudaram vários asteróides por observações de Terra. Alguns asteróides notáveis são Toutatis, Castalia, Geógrafos e Vesta. Os astrónomos estudaram Toutatis, Geógrafos e Castalia usando observações de radar de Terra durante as maiores aproximações ao nosso planeta. Vesta foi observado pelo Telescópio Espacial Hubble.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

AS PRIMEIRAS LUZES DO UNIVERSO




O telescópio espacial Spitzer efectuou uma observação, durante 10 horas, na região da constelação do Dragão e pode ter detectado as primeiras estrelas do universo. Essas estrelas teriam existido há mais de 13 mil milhões de anos. Eram descomunais, com uma massa umas cem vezes a massa do Sol. Viveram apenas uns poucos milhões de anos, (como acontece a todas as que têm grande massa), antes de dar origem a buracos negros. Recorde-se que a idade estimada para o Universo é de 13,7 mil milhões de anos.
Esta hipótese surge porque a câmara de infravermelhos do Spitzer, detectou esse tipo de radiação, nessa região do céu. A luz agora identificada é a das primeiras estrelas ou de gases muito quentes a ser sugados pelos primeiros buracos negros do Universo.
.
Imagem: JPL - NASA

sábado, 29 de maio de 2010

Estória Breve dos Cometas



Excerto do meu novo livro, (Pág. 10).
"ESTÓRIA BREVE DOS COMETAS"
a sair em Junho
  -
 (…) Muitos dos (cometas) que vieram a seguir, foram associados a guerras e catástrofes e até, à ideia da destruição total da Terra.
Em 1531, Luísa de Sabóia, mãe de Francisco I, já na cama da morte, dizia fitando o cometa que estava no céu e que via através da janela: "Eis aí um aviso que não parece mandado a pessoas de baixa condição. Deus no-lo manda para nos advertir. Preparemo-nos para morrer."
William Shakespeare (1564–1616), na mesma linha de pensamento escreveu: "Quando os mendigos morrem não há cometas à vista: os próprios céus anunciam a morte dos príncipes."
Esta ideia de que os avisos do céu eram dirigidos às personagens mais importantes, vinha de longe. Pensa-se hoje que a astrologia datará de há mais de 15 milénios, na Mesopotâmia. Mas os primeiros astrólogos de que há registo, no Ocidente, são de há cerca de 4. 000 anos, quando foi estabelecido o Zodíaco. Estas práticas de adivinhação, provindas dos caldeus, espalharam-se pela Grécia, Babilónia e Roma. 
Os astrólogos ocuparam-se, nos seus inícios, de prever a sorte de monarcas e  países. (…) ,
Numa página do livro: 3 cometas
.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

LUNETA


.

A PRIMEIRA LUNETA ASTRONÓMICA
.
A primeira luneta astronómica de que há memória, foi construída por Galileu Galilei. Tratava-se dum aparelho óptico rudimentar, que pode ser considerado o percursor dos modernos telescópios. O mês de Janeiro de 1604 ficou para a história da astronomia, como a data em que, através dela, o célebre sábio de Florença descobriu as quatro mais importantes luas de Júpiter – Io, Europa, Ganimedes e Calisto, por ordem de proximidade ao planeta. Também foi ele o primeiro a provar a realidade do sistema heliocêntrico (que tinha sido proposto por Copérnico), refutando a antiga crença de que a Terra era o centro do Sistema Solar e do Universo. Para além disto, nos domínios da astronomia –, foi ele o primeiro a observar e calcular a altura das montanhas da Lua, baseando-se nas sombras que o Sol projecta nas suas crateras, e a verificar a existência de fases, no planeta Vénus, à imagem do que se passa com as conhecidas fases do nosso satélite natural. O céu que observara através da luneta, também lhe permitiu concluir que a Via Láctea não era uma nuvem (como até aí se julgava), mas sim um enorme conjunto de estrelas, a galáxia de que o Sol faz parte.
Hoje sabe-se que esse número é superior a duzentos mil milhões (200. 000. 000. 000).

quarta-feira, 19 de maio de 2010

VÉNUS

PLANETA : VÉNUS.... planetas #3


A verdadeira natureza de Vénus só veio a ser conhecida depois de 1960, quando foi possível observá-lo na banda das ondas-rádio.
Até então, pensava-se que planeta estaria coberto de espessa vegetação, com oceanos de água ou de hidrocarbonetos e uma espessa atmosfera.
Também muitos acreditavam que fosse habitada pelos venusianos.
Os primeiros observadores do céu julgavam que Vénus não seria um planeta, mas sim dois, pelo simples facto de que geralmente só é facilmente vista pela manhã e depois à tarde. Na verdade, pelo facto de girar mais perto do Sol do que nós, (e embora seja o objecto mais brilhante do céu, a seguir ao Sol e à Lua), não é fácil vê-la em pleno dia. Assim, é tanto conhecida pela “estrela da manhã”, como pela “estrela da tarde”.
Na verdade, o planeta gira em volta do Sol, de leste para oeste, ao contrário da Terra. Um dia, em Vénus, equivale a 243 dias terrestres, sendo maior que o ano venusiano, que tem apenas 225 dias!

Tal como a Lua, é vista da Terra, num ciclo de fases, como a que se pode observar na gravura.
O planeta é conhecido desde tempos pré-históricos e é curioso que os maias elaboraram calendários que se baseavam no ciclos de Vénus.
Vénus é muito parecida com a Terra, em diversos aspectos: é um astro rochoso, constituiu-se a partir da mesma nebulosa, ao mesmo tempo que a Terra e tem uma massa, densidade e volume apenas ligeiramente inferiores. A sua distância ao Sol de cerca de 108 milhões de quilómetros comparados com os 150 milhões (uma unidade astronómica), que nos separam do astro-rei.
Quanto ao resto, sabe-se hoje, possui uma enorme e espessa atmosfera constituída por anidrido carbónico, praticamente sem vapor de água, não tendo oceanos.
As suas nuvens contêm gotículas do corrosivo ácido sulfúrico, uma pressão atmosférica, à superfície, mais de noventa vezes a que temos na Terra e temperaturas de 480º centígrados! Esta temperatura é devida principalmente ao efeito de estufa causado pelo anidrido carbónico.
Assim sendo, as primeiras sondas terrestres que para lá foram enviadas, não conseguiram vencer esses obstáculos e desfizeram-se ao descer na corrosiva e pesadíssima atmosfera, antes de poder enviar informações úteis.
Recentemente têm recorrido a outros métodos, para melhor conhecer o planeta, já que a atmosfera do planeta impede fotografar a sua superfície.
Utilizam-se radiotelescópios, sistemas de radar e sondas que se aproximam do planeta. Sabe-se agora que essa superfície é relativamente recente, onde existem grandes planícies cobertas de lava e rochas vulcânicas, atravessadas por correntes de lava e canais que se estendem por centenas de quilómetros
.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O bosão de Higgs


 É ponto assente, entre os astrónomos e os físicos, que o nosso universo se constituiu há cerca de 13.500 mil milhões de anos, a partir dum ovo cósmico – como lhe chamou o padre católico Georges Lemâitre (1927), tido como o  pioneiro da teoria do Big Bang.
Depois disso, foi possível ir reconstituindo os passos que levaram à constituição das galáxias e das estrelas, até ao dia de hoje. A teoria do Big Bang começou a ganhar expressão quando o astrónomo Edwin Hubble  mostrou que o universo está em expansão. 
Assim sendo, e como base em dados que se iam conseguindo, "colocaram o filme ao correr ao contrário" e, inevitavelmente chegaram ao princípio – o tal ovo cósmico. O modelo que foi concebido para o nosso universo, engendrado a partir das observações e medições que hoje se vão acumulando, está praticamente pronto.
É um assunto complicado, a bem dizer só para especialistas em física atómica e das partículas, e matemática.
Mas, há pontos obscuros, mormente ao nível dos constituintes dos átomos. No interior deste já foram detectadas mais duma centena de sub partículas. No entanto falta uma, de grande importância: o bosão de Higgs, assim chamada. O transcendente problema é saber qual a partícula que confere massa a todas as coisas. O bosão de Higgs (por ora teórico, proposto por Higgs), resolveria a questão. 
Para conseguir detectá-lo são necessárias energias verdadeiramente astronómicas e elas deverão ser aplicadas em choques de protões, a velocidades próximas da luz, de molde a fraccionar os ditos protões que deverão conter os famosos bosões.
Para isso está construído e operacional o Large Hadron Collider (LHC), projecto que o Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN), tem instalado próximo de Genève, entre as fronteiras Suíça e da França. Foi construído a cem metros de profundidade e é tem um anel cujo perímetro é de 27 quilómetros.
As partículas são atiradas umas contra as outras, dentro do anel oco, e aceleradas por 9.300 ímanes gigantes supracondutores, que foram refrigerados durante dois anos, até atingir - 271,3º Célsius – um pouco acima do zero absoluto.
O projecto, para o qual contribuíram países europeus, mas também os EUA, Índia, Rússia e Japão (e também Portugal), custou 3,76 mil milhões de euros. Nele participaram mais de 10 mil cientistas e engenheiros.
Os primeiros resultados só são esperados dentro duns dois anos.

sábado, 8 de maio de 2010

A DIVISÃO DIÁRIA DO TEMPO


 
Embora o grande físico e cosmologista inglês Stephen William Hawking, mostre matematicamente que o tempo "é uma abstracção", a verdade é que, para a nossa vida diária, foi necessário inventar uma qualquer maneira de medi-lo.
Desde muito cedo, os antigos preocuparam-se em medir o tempo. Não só no que dizia respeito às modificações que iam constatando acontecerem durante o ano, como também ao que viam acontecer com o correr do dia. Desde que a agricultura passou a fazer parte integrante das suas vidas, e em face das diferentes condições climatéricas que se iam processando ao longo do anos, tornou-se necessário saber as épocas mais favoráveis para fazer as plantações e as colheitas. Os primeiros calendários tinham essa finalidade.
Mas hoje vamo-nos ocupar apenas do facto quase bizarro de, ainda hoje, o dia e a hora não se enquadrarem no sistema decimal. 
Se dividimos a hora em sessenta minutos e o minuto em sessenta segundos, é apenas porque na importante cidade que era Babilónia era praticado o sistema sexagesimal. O número sessenta  permite múltiplas divisões.  
Os babilónios dividiam o dia em 24 «parasangs», equivalentes a 720 estádios, uma medida de comprimento, da época, sendo que um estádio equivale a 7.420 metros. E isto, porque pensavam eles, um caminhante lesto era capaz de percorrer essa distância no vinte quatro avos do percurso diário do Sol!
Deve-se a Hipalco, um grego que viveu no século II a.C.,  a introdução do sistema, na Grécia e depois  no resto da Europa.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O CICLO SOLAR DOS ONZE ANOS

O Sol # 4

Conhece-se, com algum rigor, o comportamento do Sol, ao longo dos mais recentes anos, no que respeita à actividade interna e consequente produção de energia. O gráfico que apresentamos assim o demonstra, pois refere-se a um período de quase cem anos.
A sua vida é regulada por diversos ciclos, de que são relativamente bem conhecidos, o ciclo solar dos onze anos - também conhecido pelo período do sol quente, que pode ter variações de dez ou mais por cento - e o de vinte e dois, também chamado período magnético do Sol e que se crê ser responsável por determinadas mudanças periódicas que afectam o clima da Terra.
A título de curiosidade, diremos que também há fortes suspeitas de outros ciclos, de períodos de tempo mais alargados.
Na prática, o primeiro, caracteriza-se pelo aumento ou diminuição das manchas solares.
Ao analisar estratos em rochas de Flinders Range (Austrália do Sul) foi possível aos cientistas estabelecer uma relação com o primeiro desses citados ciclos. Esses estratos mostram camadas de detritos que sedimentaram (cascalho, areia, sais de ferro, terra), com um padrão que se repete de onze em onze camadas e uma gradação regular e bem nítida. As rochas em análise são do período Pré-Cambriano, cem milhões de anos antes dos primeiros registos das famosas trilobites! Os depósitos foram-se formando pelo degelo anual dum glaciar que então existia na região e as camadas sedimentares observadas mostram-nos algo do que se terá passado, em termos climatéricos, durante anos sucessivos, nessa época remota.
É fácil de deduzir que, quanto maior o degelo, mais deveriam ter sido os sedimentos acumulados. E que esses degelos foram uma consequência da maior ou menor actividade solar. Assim, concluíram os cientistas, o Sol tem tido um comportamento regular desde há pelo menos seiscentos milhões de anos, no que respeita a este ciclo e é provável que desde então venha consumindo sensivelmente os mesmos 600 milhões de toneladas de hidrogénio por segundo, basicamente transformando-os em hélio e energia.
Agora, o Sol já prepara-se para entrar num novo ciclo.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

AS ESTRELAS (1)

.
Céu pejado de estrelas


Basta olhar para um céu nocturno, fora da poluição luminosa das cidades, para nos apercebermos da diversa aparência das estrelas. Podemos facilmente constatar que elas se nos apresentam com aspectos diferentes no que respeita à magnitude, brilho e cor. Será uma interessante experiência, para quem quer iniciar-se na astronomia, verificar estas diferenças.
As magnitudes têm a ver com a distância a que se encontram e também como a sua intrínseca luminosidade.
O brilho fornece-nos informações sobre a temperatura superficial do astro: se a estrela for branca ou azulada, sabemos que se trata duma estrela jovem, de altas temperaturas superficiais; se, ao invés, for alaranjada ou avermelhada, a estrela tem temperaturas superficiais mais baixas e provavelmente é velha.
As estrelas amareladas estão entre as primeiras e as segundas, como é o caso do Sol.
Porém, há outras estrelas bem diferentes, muitas das quais invisíveis à vista desarmada, mesmo que estivessem mais perto. Estão neste grupo as anãs, que debitam pouquíssima energia. Ou as estrelas de neutrões de exíguas dimensões e que apenas sabemos que existem, pela influência gravítica que exercem sobre outras que lhe estão próximas, bem maiores, e por um feixe de radiação que nos enviam a intervalos regulares.

sábado, 24 de abril de 2010

MAGNITUDES


As estrelas que vemos no céu, parecem ter dimensões diferentes. Mas a aparência é enganadora, sendo que as que nos parecem maiores podem não sê-lo, e vice-versa. Depende da distância a que se encontram e do seu brilho real, intrínseco. No entanto, podemos dividi-las em grupos, pela aparência do seu fulgor. Os astrónomos chamam magnitude (visual) a esse brilho. Curiosamente, usa-se uma escala inversa; isto é: uma estrela de magnitude 5, por exemplo, é menos brilhante que uma de magnitude 4, e assim por diante.
Mas tudo isto tem razões históricas, que vêm de muito longe, no passado. Foi Hiparco, um matemático e astrónomo grego que viveu há mais de 2.000 anos que, ao elaborar um catálogo de cerca de 800 estrelas, no ano de 129 a.C., estabeleceu as bases para a classificação que ainda hoje se utiliza. As estrelas foram classificadas pelo brilho que aparentavam. Na época, como se pode imaginar, os meios eram escassos, e o astrónomo apenas pôde utilizar a vista desarmada.
Na sua classificação aparecem as estrelas agrupadas em 6 classes de brilho, a que chamou “grandezas”. Assim, colocou as 20 mais brilhantes no grupo da 1ª grandeza. Altair - nome de origem árabe que significa "anjo em vôo" - é um bom exemplo. Altair está na constelação da Águia. Por comparação, a famosa Estela Polar, na Ursa Menor, tem uma magnitude de 2.
Inevitavelmente, colocou as que apenas podiam ser vistas muito ténues, no limite da observação, na 6ª grandeza.
Também há estrelas com magnitude negativa, portanto, mais brilhantes do que as de 1ª grandeza. É o caso de Sírius, uma estrela jovem e muito luminosa, cuja magnitude é de -1.46. É a estrela mais brilhante dos nossos céus, na constelação de Cão Maior, apenas a 8.7 anos-luz.