DILEMA

https://youtu.be/K_sAgzRbMu4

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O COMETA DO "VINHO DO PORTO"

Desenho da Época.

Em Março de 1811, um astrónomo francês de nome Honoré Flaugergues, fez saber da existência dum cometa que haveria de mostrar-se de grande brilho, no Outono desse mesmo ano, e que seria muito facilmente visível a olho nu.
Nalgumas gravuras desse tempo, ele aparece retratado com cabeça de mulher e um archote nas mãos, com que pegava fogo às videiras, já que era Setembro, a época das vindimas!
Napoleão, optimista, antes das desastrosas campanhas da Rússia, tinha-o considerado um bom augúrio; afinal, ele terá sido um bom prenúncio, sim… para os seus inimigos!
E a posteriori, segundo Guillemin, o astro foi tido pelos franceses, como responsável pelas derrotas de Bonaparte na Rússia, e na batalha de Smolenski…
E embora por toda a Europa o cometa tivesse aterrorizado as populações, não fugindo Portugal à onda de irracionalidade, aconteceu que, nesse ano de 1811, tivesse sido produzida uma colheita de Vinho do Porto de qualidade rara, classificada como vintage de 5 estrelas!
Logo, os mais interessados (os produtores de célebre néctar), numa manobra publicitária oportunista e muito bem atempada, se aprestaram a associar a excepcional qualidade do vinho ao aparecimento do cometa e o seu bom presságio… muito embora nesse mesmo ano, tivessem caído as exportações do célebre vinho!
A atribuição da denominação vintage passou a ser utilizada daí em diante. Chamaram-lhe Flaugergues, como haveriam de dar o nome de Waterloo, à colheita de 1815, quando outro grande cometa fez a sua aparição.
"A correlação do vintage do Vinho do Porto de 1811 com o grande cometa desse ano, afigurava-se perfeita", segundo disse H. Warner Allen (A History of   Wine, Londres, 1961.
Entretanto, na velha Europa, o povo julgou que o cometa era anunciador do fim do mundo, gerando um onda de terror, com já havia acontecido noutras épocas (e que, pelos vistos, continua a acontecer sempre que algo de muito incomum acontece nos céus… e até nas convulsões da própria Terra).
Ninguém ficou indiferente à imponência do cometa, tanto mais que ele acabou por permanecer nos céus, durante nove meses!
Até na prestigiada Histoire de l’Astronomie, publicada em Paris, em 1873, Ferdinand Hoefer lhe fez referência.
Sob o ponto de vista científico, há a assinalar que um grande astrónomo desses tempos, Herschel, sustentou, e com razão, que este tipo de astros também está sujeito a um movimento de rotação, com os planetas e seus satélites.
Para além de ter sido calculada a cauda do cometa em cerca de 150 milhões de quilómetros – a distancia Terra/Sol – e a cabeleira nuns 2 milhões, um outro astrónomo, Argelander, calculou a órbita do cometa em 3.065 anos!
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* Extracto do meu livro "História Breve dos Cometas"

terça-feira, 8 de outubro de 2013

GRANDES COMETAS DA HISTÓRIA (III) - o DONATI




Embora basicamente idênticos, os cometas apresentam-se-nos quase sempre com diferentes configurações.
A sua maior ou menor exuberância, depende essencialmente da conjugação de distâncias menores, ao Sol e à Terra.
O cometa Donati tem sido considerado o mais belo da História, pela harmonia das suas três caudas, uma de gás e duas de poeiras.
Em Outubro de 1858 esteve no seu maior esplendor, tão brilhante como a mais brilhante estrela dos nossos céus: Sírio.
A cauda de gases apresentou-se como a maior e estendeu-se por uns 40º, no firmamento.

                       * É curioso verificar que, à direita do cometa, se pode ver a Ursa Maior.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Constelação BALANÇA (ou LIBRA)

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A Balança (ou Libra) é uma constelação pouco expressiva, dita do Zodíaco, e de relativamente pouco interesse, para a Astronomia. 
Encontra-se entre Escorpião e Virgem e para os Antigos representava a balança da justiça, talvez porque nela se encontra o data em que o dia é igual à noite – o dia do Equinócio – 23 de Setembro.
Não tem estrelas notáveis, nem há por aí outros objectos celestes de interesse.

sábado, 28 de setembro de 2013

CONSTELAÇÕES


Contam-se por cerca de 10 mil, as estrelas que podemos ver no céu. Todas essas estrelas têm nomes, ou foi-lhes atribuída uma referência. A sua localização, num céu tão vasto, é facilmente conseguida pelas constelações onde estão inseridas.
Foi na Idade do Bronze que os babilónios elaboraram um primeiro catálogo de constelações e estrelas.
Já no século II, Ptolomeu, no seu "Almagesto", definiu 48, desses conjuntos de estrelas.
E desde 1922, a União Astronómica Internacional dividiu todo o céu em 88 constelações, incluindo algumas apenas visíveis no Hemisfério Sul e que eram desconhecidas dos mais antigos do Ocidente. Só foram conhecidas durante a Era dos Descobrimentos Marítimos.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

GRANDES COMETAS DE HISTÓRIA (II)

Em 1843, um outro Grande Cometa, esteve nos céus da Terra e é considerado um dos maiores dos últimos tempos, sendo dezenas vezes mais  brilhante que a Lua.  Tinha uma cauda de cerca de 300 milhões  de  kms,  que é considerada uma das mais extensas de sempre, na História.
A cauda chegou a abarcar 70º, no céu visível! Isto deveu-se ao facto de ter passado apenas a 120 mil Kms do Sol.
Crê-se que já terá por cá passado em 1106 e deve estar de volta dentro duns 737 anos.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

GRANDES COMETA DA HISTÓRIA (I)


No ano de 1882 assistiu-se à passagem dum Grande Cometa.
Hoje, pelas informações de que se dispõe, crê-se que terá atingido um brilho maior que o brilho da Lua Cheia! A sua cauda estendia-se por 30º, no céu.
Foi observado desde Setembro desse ano e ainda foi visto até meados de Fevereiro. É tido como o mais brilhante da História.
Para esse facto raro, contribuiu decisivamente o ter passado a cerca de 430 mil Kms do Sol (uma distância semelhante à que nos separa da Lua). Mas, por essa mesma razão, fragmentou-se em 5 pedaços, devido ao enorme efeito de maré, provocado pela colossal força gravítica do Sol.  
A passagem no periélio, quando é muito perto do Sol, pode provocar essa fragmentação, e isto pode acontecer ao esperado ISON, no final de Novembro.
Esse cometa de 1882 (ou parte dele...), só deverá estar de volta ao interior do Sistema Solar, em 2642.