DILEMA

https://youtu.be/K_sAgzRbMu4

sábado, 16 de novembro de 2013

GRANDES COMETAS (VI) - Hale-Boop






Cometa Hale-Bopp C/1995 O1.

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Este grande e recente cometa teria uns trinta quilómetros de envergadura e foi descoberto em 1995, como indicado no seu código de referência. 
Para melhor observá-lo, levei a família, a um local muito escuro, longe da cidade. Foi um inesquecível espectáculo visual!
Mas, mesmo em grandes metrópoles, era bem visível.
Tinha duas caudas, uma de gases e a outra, de poeiras. A maior estendeu-se por 16 º, na abobada celeste.
Permaneceu visível desde Outubro de 1996, até Junho de 1997.
Este cometa, crê-se, foi visto nos tempos do Antigo Egipto, durante a construção duma pirâmide, no reinado do faraó Pepi I (2332–2283 b. C). Existe um texto dessa época, em Saqqara (Egipto), referindo um astro de "longo cabelo" e outras informações que se enquadram no período calculado para a sua órbita.
Vamos a ver, brevemente, se o Ison o ultrapassará... como promete.


domingo, 10 de novembro de 2013

O ISON EM FINS DE OUTUBRO

No dia 25 de Outubro último, o cometa foi fotografado pela NASA, quando ainda se encontrava a mais de 150 milhões de quilómetros do Sol, na constelação de Leão. 
E é impossível, por enquanto, vê-lo a olho nu, tal como às estrelas da gravura.
Nessa altura deslocava-se a mais de 100 mil quilómetros/hora!
Créditos: NASA

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

GRANDES COMETAS visíveis em pleno dia


Já aqui foi dito que o cometa Ison, que brevemente fará a sua aparição nos nossos céus, sendo visível à vista desarmada, poderá ou não (como então referimos), ser um espectáculo único, desde há séculos.
Poderá inclusivamente ser visível em pleno dia, como com a Lua Cheia.
Não são muitos os cometas do passado que têm tido esse brilho.
Estão catalogados cometas, em Janeiro de 1106, que podia ser visto o dia inteiro; o de 1843, durante vários dias, provavelmente semelhante ao Ison;  os de 1882 e 1910; e, mais recentemente os de 1927 e 1965.
E principalmente o C/2006 P1 (McNaught), apenas visível no Hemisfério Sul, já neste século.
O Cometa McNaught


domingo, 3 de novembro de 2013

A CONSTELAÇÃO DO ESCORPIÃO

A constelação

A constelação do Escorpião define o signo do Zodíaco (24/10 a 22/11),  do mesmo nome.
Esse agrupamento de estrelas foi identificado pelos gregos, mas também  pelos egípcios e persas, que lhe atribuíram diferentes versões mitológicas. Na versão grega, foi o Escorpião quem matou Orion.
É uma constelação muito rica em objectos diversos, sendo Antares, uma estrela supergigante vermelha, a cerca de 520 anos-luz de distância de nós, e nove mil vezes mais brilhante que o Sol, a sua estrela mais importante.
Na região do céu onde está, podemos ver diversos aglomerados de estrelas, como os M 7, M 6 e M 80, do catálogo de Messier e o NGC 6231 - um grande enxame de estrelas, muito brilhante.
De assinalar também uma estrela binária conhecida por Scorpius X-1, grande fonte de raios x, onde a estrela principal está associada possivelmente a uma estrela de neutrões ou a um buraco negro.
A versão mitológica

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Grandes cometas da História - O HALLEY

O Halley de 1910, sobre a 5 ª Avenida, em Nova York
O Halley de 1910 (gravura da época)

Em 1835, o Halley, sobre Paris, visível em pleno dia!

O cometa Halley é o mais célebre de todos os cometas. A sua história remonta ao ano de 239 a. C.
Devemos aos remotos astrónomos chineses as observações que efectuaram nesses tempos recuados e também todos os registos de outros cometas, incluindo as 10 posteriores aparições do mesmo cometa, entre os anos de 760 e 66 d.C. Mas eles não foram capazes de associar nenhuma dessas aparições a qualquer outra anterior, porque nesse tempo se pensava que esses estranhos visitantes nunca mais voltavam. Hoje sabe-se que assim não é, depois que Edmond Halley, um astrónomo inglês que viveu no século XVII, observou e estudou a trajectória dum cometa brilhante que se via nos céus e a que deu o seu nome, em 1682.
Baseando-se nos escritos enunciados no «Principia», de Newton, onde eram deduzidas as leis da mecânica celeste e nas leis que Kepler equacionara para descrever o movimento dos planetas em torno do Sol, Edmond Halley determinou a trajectória do cometa e foi capaz de prever o seu regresso. Essa órbita é uma elíptica muito alongada e, contas feitas, o cometa regressaria dentro de 75 ou 76 anos. E regressou. O astrónomo já não pertencia ao número dos vivos, para poder presenciar e rejubilar-se com a sua extraordinária previsão, mas o seu nome ficou para sempre ligado à astronomia e o feito serviu de prova complementar às leis de Kepler e à revolucionário teoria da gravitação de Newton.
Mas nem por isso se esvaneceram as crenças nos maus augúrios trazidos pelos cometas.
Antes de Edmond Halley, em 66 d. C., segundo relatos ocidentais da época, o cometa permaneceu visível quase durante um ano, sobre Jerusalém e "parecia um sabre ameaçando a cidade". Esta passagem do Halley ficou associada à Guerra Judaica. Como se sabe, os romanos do tempo do imperador Vespasiano, cercaram Jerusalém em 70 d. C. e acabaram por tomar a cidade sitiada.
Em 1066, ano em que o cometa também reapareceu nos céus da Terra, é de lembrar o resultado da célebre batalha de Hastings, entre Normandos e Ingleses: para os Normandos ele ficou como um bom presságio, pois ganharam a guerra, enquanto que os Ingleses o amaldiçoaram...
Também uma situação semelhante aconteceu em 1910, aquando da implantação da República, em Portugal. Para os republicanos, o Halley tinha sido uma boa promessa; para os monárquicos, o anúncio duma grande desgraça...
É vasta a lista conhecida de desgraças e cataclismos atribuídas aos cometas, quer ao Halley, quer aos outros. Ainda em relação a este célebre "viajante interplanetário", lembremos Mehemed II e a queda de Constantinopla, em 1456. O responsável por essa calamidade, para os Cristãos e para toda a cristandade... fora o Halley, que, no entanto, só passou 3 anos depois!...
A última passagem do Halley, junto da Terra, verificou-se entre 1985 e 1986, como previsto. Mas as condições de visibilidade foram muito afectadas pela grande distância a que passou de nós, no seu caminho em direcção ao Sol, e também na sua rota de regresso aos confins do Sistema Solar. Na Europa, na maior parte do tempo ele aparecia-nos muito próximo da estrela, ao nascer ou por do Sol, sendo ofuscado pelo seu brilho. Mas no hemisfério austral – por exemplo, na África do Sul –, o Halley manteve-se muito tempo ao alto, no céu nocturno e foi possível observá-lo sem dificuldade. Esta última aparição do célebre cometa terá sido uma das mais pobres de toda a História.
A próxima passagem será no ano de 2061.
Entretanto, espera-se pelo Ison... no próximo mês.


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O COMETA WEST

Este espectacular cometa, observado em 1976, foi um dos que, ao passar pelo Sol, se fragmentou. Brilhava tanto como o planeta Júpiter.
Esperemos que o mesmo não aconteça ao Ison, que se aproxima a grande velocidade…
O West tem um período duns 500 mil anos e pensa-se que foi a primeira vez que nos visitou!

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O COMETA DO "VINHO DO PORTO"

Desenho da Época.

Em Março de 1811, um astrónomo francês de nome Honoré Flaugergues, fez saber da existência dum cometa que haveria de mostrar-se de grande brilho, no Outono desse mesmo ano, e que seria muito facilmente visível a olho nu.
Nalgumas gravuras desse tempo, ele aparece retratado com cabeça de mulher e um archote nas mãos, com que pegava fogo às videiras, já que era Setembro, a época das vindimas!
Napoleão, optimista, antes das desastrosas campanhas da Rússia, tinha-o considerado um bom augúrio; afinal, ele terá sido um bom prenúncio, sim… para os seus inimigos!
E a posteriori, segundo Guillemin, o astro foi tido pelos franceses, como responsável pelas derrotas de Bonaparte na Rússia, e na batalha de Smolenski…
E embora por toda a Europa o cometa tivesse aterrorizado as populações, não fugindo Portugal à onda de irracionalidade, aconteceu que, nesse ano de 1811, tivesse sido produzida uma colheita de Vinho do Porto de qualidade rara, classificada como vintage de 5 estrelas!
Logo, os mais interessados (os produtores de célebre néctar), numa manobra publicitária oportunista e muito bem atempada, se aprestaram a associar a excepcional qualidade do vinho ao aparecimento do cometa e o seu bom presságio… muito embora nesse mesmo ano, tivessem caído as exportações do célebre vinho!
A atribuição da denominação vintage passou a ser utilizada daí em diante. Chamaram-lhe Flaugergues, como haveriam de dar o nome de Waterloo, à colheita de 1815, quando outro grande cometa fez a sua aparição.
"A correlação do vintage do Vinho do Porto de 1811 com o grande cometa desse ano, afigurava-se perfeita", segundo disse H. Warner Allen (A History of   Wine, Londres, 1961.
Entretanto, na velha Europa, o povo julgou que o cometa era anunciador do fim do mundo, gerando um onda de terror, com já havia acontecido noutras épocas (e que, pelos vistos, continua a acontecer sempre que algo de muito incomum acontece nos céus… e até nas convulsões da própria Terra).
Ninguém ficou indiferente à imponência do cometa, tanto mais que ele acabou por permanecer nos céus, durante nove meses!
Até na prestigiada Histoire de l’Astronomie, publicada em Paris, em 1873, Ferdinand Hoefer lhe fez referência.
Sob o ponto de vista científico, há a assinalar que um grande astrónomo desses tempos, Herschel, sustentou, e com razão, que este tipo de astros também está sujeito a um movimento de rotação, com os planetas e seus satélites.
Para além de ter sido calculada a cauda do cometa em cerca de 150 milhões de quilómetros – a distancia Terra/Sol – e a cabeleira nuns 2 milhões, um outro astrónomo, Argelander, calculou a órbita do cometa em 3.065 anos!
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* Extracto do meu livro "História Breve dos Cometas"