DILEMA

https://youtu.be/K_sAgzRbMu4
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segunda-feira, 3 de maio de 2010

O CICLO SOLAR DOS ONZE ANOS

O Sol # 4

Conhece-se, com algum rigor, o comportamento do Sol, ao longo dos mais recentes anos, no que respeita à actividade interna e consequente produção de energia. O gráfico que apresentamos assim o demonstra, pois refere-se a um período de quase cem anos.
A sua vida é regulada por diversos ciclos, de que são relativamente bem conhecidos, o ciclo solar dos onze anos - também conhecido pelo período do sol quente, que pode ter variações de dez ou mais por cento - e o de vinte e dois, também chamado período magnético do Sol e que se crê ser responsável por determinadas mudanças periódicas que afectam o clima da Terra.
A título de curiosidade, diremos que também há fortes suspeitas de outros ciclos, de períodos de tempo mais alargados.
Na prática, o primeiro, caracteriza-se pelo aumento ou diminuição das manchas solares.
Ao analisar estratos em rochas de Flinders Range (Austrália do Sul) foi possível aos cientistas estabelecer uma relação com o primeiro desses citados ciclos. Esses estratos mostram camadas de detritos que sedimentaram (cascalho, areia, sais de ferro, terra), com um padrão que se repete de onze em onze camadas e uma gradação regular e bem nítida. As rochas em análise são do período Pré-Cambriano, cem milhões de anos antes dos primeiros registos das famosas trilobites! Os depósitos foram-se formando pelo degelo anual dum glaciar que então existia na região e as camadas sedimentares observadas mostram-nos algo do que se terá passado, em termos climatéricos, durante anos sucessivos, nessa época remota.
É fácil de deduzir que, quanto maior o degelo, mais deveriam ter sido os sedimentos acumulados. E que esses degelos foram uma consequência da maior ou menor actividade solar. Assim, concluíram os cientistas, o Sol tem tido um comportamento regular desde há pelo menos seiscentos milhões de anos, no que respeita a este ciclo e é provável que desde então venha consumindo sensivelmente os mesmos 600 milhões de toneladas de hidrogénio por segundo, basicamente transformando-os em hélio e energia.
Agora, o Sol já prepara-se para entrar num novo ciclo.

segunda-feira, 15 de março de 2010

A RADIAÇÃO SOLAR

O Sol #2


A radiação solar não é apenas a luz solar visível, aquela que dá forma às árvores, aos horizontes, ao mar, a todos os objectos que nós somos capazes de observar, durante o dia. Ela incluí, também, a luz solar invisível aos nossos olhos e os raios cósmicos provenientes do Sol. Há ainda a considerar o neutrino, essa partícula ínfima e fantasmagórica, que hoje se sabe possuir massa.
A natureza da radiação é um assunto da maior importância para a compreensão do mundo em que vivemos. Não só do nosso universo macrofísico (o nosso mundo das realidades mais palpáveis e comuns do dia a dia, e do comportamento de corpos de grande massa, como as estrelas), mas também para a compreensão dos fenómenos ditos do infinitamente pequeno.
Foi o físico alemão Albert Einstein (1879–1955), quem descobriu que a velocidade da luz é constante, seja qual for o movimento do sistema no qual é medida. Essa e outras teorias respeitando o comportamento e a natureza da luz, revolucionaram a física moderna.
De qualquer maneira, a luz ou as suas manifestações ou aplicações dominam a nossa vida quotidiana, e isso acontece desde sempre.
Isaac Newton, no ano já distante de 1704, tinha-a descrito como uma "torrente de crepúsculos", para explicar certas propriedades do raio luminoso que, segundo o físico e astrónomo holandês Christiaan Huygens (1629–1695) se propaga em ondas, antecipando de dois séculos, o conhecimento que, hoje, dela temos.
Compreender a luz solar, é compreender um pouco das nossas vidas e a vida de toda a Terra. Esta vida que nós conhecemos não era possível sem ela, pois é dela que as plantas tiram a energia para realizar a fotossíntese, absorver e transformar os nutrientes, crescer e desenvolver-se.

domingo, 7 de março de 2010

O SOL

O Sol #3

O Sol é uma estrela, igual a tantas outras. Por estar próxima, parece-nos a maior de todas.
Sabemos a sua idade, volume e massa, composição química e temperatura, distância a que dela nos encontramos, e por aí adiante.
Mas os nossos mais remotos antepassados, não a comparavam às outras estrelas do céu e nada sabiam do seu princípio e destino último. Julgavam-na um deus imorredoiro, como todos os deuses da imaginação do homem.
No antigo egípcio, o Sol era Rá, ou Ámon-Rá e navegava num barco, através do céu, tendo Akenaton eleito Áton - o disco solar - como o único deus. A ele se refere um dos mais longos e harmoniosos poemas da antiguidade:

"
Como a tua aurora é bela, no horizonte,
Ó Aton, iniciador da vida
..."

Por todo planeta o Sol foi adorado como deus: desde a Austrália, dos Arunta, passando pelos Celtas e pela Mesopotânia, até à região dos esquimós do árctico. Na antiga Grécia era simbolizado por Apolo e representava a beleza física, em Babilónia por Shamash ou "a luz dos deuses", e alguns povos africanos viam-no como o "olho da suprema divindade", sempre presente, omnisciente e omnipotente. No Extremo Oriente, para os religiosos seguidores do Ryôbu-Xintô, o Sol é Amaterasu - o mais nobre dos deuses japoneses, irradiando claridade e luz.
Gago Coutinho conta que, quando atravessou a África Austral, encontrou umas tribos que pensavam que a Terra estava coberta por um manto e que o Sol, durante o dia, se encontrava aquém do referido manto. No entanto, à noite, o Sol estaria para aquém do manto. Como o manto se encontrava esburacado era possível ver a luz do sol pelos diversos buraquinhos, e isso eram as estrelas.
Hermes Trismegisto, tido pelo primeiro dos alquimistas, confundia Sol e ouro, considerando-o "formado por um mercúrio muito subtil e por um pouco de enxofre muito puro". Também na fria Dinamarca, os povos que habitavam Trundholm, na Idade do Bronze, adoravam o astro-rei e tinham-no representado por um disco coberto por uma folha de ouro. Situação semelhante se verificava na região dos astecas, que adoravam um Sol de uma braça de diâmetro, nesse metal precioso. Como se vê, quase todas as civilizações primitivas adoravam o Sol e muitas consideravam-no como deus. E não sem razão. Na verdade, sabemos hoje, a Terra é uma espécie de subproduto do Sol, feita dos restos da estrela, aquando da sua formação, vai para cinco mil milhões de anos. Mas não só a Terra foi engendrada pela estrela em formação, como, depois, passou a depender dela, da sua luz, do seu calor, da sua energia. Foi, muito certamente, esta constatação que fez como o Sol fosse tido como deus criador, pelos antigos. Até mesmo os primeiros cristãos se referiam a Cristo como "a luz", ou o Sol, certamente por ter sido associado a outras divindades solares mais antigas, da região.
Na verdade, o Sol é quase exclusivamente constituído por hidrogénio, um pouco de hélio e vestígios doutros elementos, como o oxigénio, na proporção de uma parte por cada mil e quinhentas de hidrogénio. Formou-se há mais de quatro mil e quinhentos milhões de anos e deve manter o aspecto actual, pelo menos durante mais outro tanto tempo. O seu diâmetro, que hoje é cem vezes maior que o terrestre, expandir-se-á até nós, engolindo a Terra e depois Marte. Por essas alturas, a estrela amarela e média que é o Sol, tendo consumido a maior parte do seu hidrogénio, convertendo-o em hélio, transforma-se numa gigante vermelha, idêntica a outras que se conhecem no céu da Galáxia. A sua luz empalidece e a estrela esfria inexoravelmente até comprimir-se a dimensões mínimas, muito inferiores ao seu actual volume e tornar-se anã-branca.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O SOL

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O Sol fotografado pela sonda Soho, nos ultravioletas
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Apesar de ser a estrela que se encontra mais perto de nós, aquela que verdadeiramente podemos estudar com um certo rigor, o Sol ainda se encontra envolto em muitos mistérios e incertezas. A luz e todo o tipo de radiação que ele continuamente nos envia, têm sido, até agora, o meio privilegiado para o seu estudo e compreensão.
No entanto, é sabido que a atmosfera terrestre filtra muita dessa radiação e, por conseguinte, nos esconde algumas informações preciosas. Para contornar estas barreiras, os grandes observatórios são geralmente implantados em altos cumes de montanhas, em lugares remotos, locais secos e sem poeiras, onde o ar se encontra mais rarefeito e onde é menor ( ou quase nula) a poluição luminosa provinda das cidades. A sua localização a grande altitude, também evita a maior parte das nuvens.
Contudo, para as exigências de muitas das necessidades observacionais da moderna astronomia, eles já não são suficientemente úteis. Por isso se recorre aos satélites artificiais e às sondas.
Inventado pelo francês Bernard Lyot em 1930, o coronógrafo, foi um dos primeiros instrumentos capaz de observar a coroa solar, aquando dos eclipses. Durante esses raros mas espectaculares acontecimentos, pode ser observada a nebulosidade que rodeia o Sol, porque a fonte de luz se encontra encoberta pela Lua.
Para melhor estudar o Sol, também se utilizam filtros adaptados aos telescópios para obter fotografias que permitem distinguir diversos tipos de radiação, em separado. Essas fotografias mostram-nos imagens que não nos são familiares e permitem importantes dados sobre a actividade solar, em particular sobre as camadas exteriores, onde é possível verificar o movimento da sua matéria superficial.
Mas, muitas destas pesquisas continuam a revelar-se inconclusivas ou insuficientes, apesar dos progressos da tecnologia. A atmosfera da Terra continua a ser a maior barreira, pelo modo como distorce as imagens recolhidas, devido à inevitável circulação da massa aérea, ou por absorver parte dessa radiação. Pequenas diferenças de temperatura conferem heterogeneidade às camadas de ar, a humidade turva a visibilidade, a própria composição e estrutura das moléculas da camada aérea que cobre o nosso planeta, é uma barreira.
O problema começou a ser resolvido, com o evento dos satélites artificiais e, mais recentemente ainda, com o envio de sondas na direcção do Sol, munidas de complexa aparelhagem para fotografar, observar e medir as radiações solares, de muito perto. Mas não só as radiações solares. Também o seu campo gravitacional e magnético, o vento solar e demais incidências que se verificam no nosso astro-rei.