DILEMA

https://youtu.be/K_sAgzRbMu4
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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

AS ORIGENS DA ASTRONOMIA


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O Homem é um animal curioso e deve o seu estado actual de desenvolvimento, a esse espírito diligente e singular.  Não andaremos longe da verdade se dissermos que desde sempre procurou conhecer tudo quanto o rodeia. Essa é a sua condição de humano, provavelmente já patente nos desígnios dos nossos tetravós europeus Cro-Magnon e Neardenthalis ou, até mesmo, no mais remoto africano Ramipithecus, donde, ao que tudo indica, descendemos.
Podemos dar-nos ao devaneio ou ao exercício de procurar escalar o passado mais longínquo e imaginar os nossos primitivos antepassados a olhar as estrelas do céu nocturno, com assombro e temor, procurando encontrar explicações para o seu brilho incorruptível, ou para outros eventuais fenómenos celestes que ante si se desenrolavam, fossem eles o simples esvaziamento e enchimento da Lua, fosse ele algum cometa ou uma super-nova a inundar de luz, os céus.
Infelizmente, muitas dessas explicações tinham pouco de coerência ou nexo.
Foi, por certo, o movimento do Sol que primeiro despertou os espíritos para uma possível referenciação para marcar o tempo. Depois, as alterações observadas no curso do Sol, ao longo do ano, deram-lhe o conhecimento da regular chegada das estações e as suas consequentes modificações atmosféricas, sendo datados dos anos próximos de 4000 a.C., os registos mais antigos da observação de acontecimentos astronómicos, no Egipto, na Mesopotânia e América Central.
Com esses novos dados era possível tirar partido das características e das particularidades das estações, de molde a melhor conduzir o amanho dos campos e a colheita das sementeiras.
Ao mesmo tempo, a observação do decurso do Sol, trouxe a inevitabilidade de outras anotações, onde se incluíam os eclipses. A primeira observação e registo desse fenómeno singular terá tido lugar na China, do ano de 2697 a.C.
Mais tarde, o ocaso e o nascimento de algumas estrelas brilhantes terão passado a ser registados, um pouco por todo o lado, no planeta, por povos de diferentes civilizações e graus de desenvolvimento. Esses registos eram, particularmente, os dias dos equinócios e dos solestícios. Essas datas conduziram aos primeiros calendários solares, por volta de 2000 a.C. Conhece-se os que, por essas alturas, apareceram na Mesopotânia e em Stonehenge, nas Ilhas Britânicas, geralmente sob a forma de edificações em pedra e que, provavelmente, também envolviam um sentimento religioso. Como é sabido, os povos mais antigos atribuíam um enorme significado aos acontecimentos celestes, e isso terá originado um conjunto de crenças, rituais e regras de índole religiosa, envoltas no maravilhoso mundo dos mitos e das narrativas fantásticas que prevaleceram durante séculos, em muitas civilizações.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

CASSIOPEIA



Muitas das cenas da mitologia encerram conceitos de moral que, de resto, é uma característica de todos os cultos religiosos. As antigas religiões de Roma e da Grécia enquadravam, nesse aspecto, a sabedoria e as atitudes que deveriam reinar entre os mortais da Terra.
A história mitológica de Cassiopeia (que podemos admirar como uma bela constelação situada na parte norte do céu nocturno, no fino e denso aglomerado de estrelas da Via Láctea), está intimamente ligada a Andrómeda. No céu, é fácil distinguir as suas mais importantes cinco estrelas em forma de W.
Cassiopeia, a que os Persas chamavam Shuter, era muito bela e era esposa do rei Cefeu, da Etiópia. O desmedido orgulho pela sua beleza tomava-a arrogante a ponto de apregoar ser mais bela do que as ninfas do oceano, as Nereides. Esta presunção irritou as ninfas, que eram filhas de um dos senhores dos oceanos, Nereu. Não é que as ninfas não estivessem cientes da sua superior beleza física, mas porque a rainha parecia não perceber que os seus atributos de beleza não poderiam ser considerada uma virtude em si, porque apenas tinham nascido consigo e não tinham sido fruto dum esforço pessoal conseguido. Cassiopeia devia apenas agradecer a sua sorte; e não vangloriar-se dela. Assim, por considerarem que o comportamento da rainha denotava um deplorável desvio de valores, pediram ao rei que governava os oceanos, Posidon (Neptuno), para castigar Cassiopeia. Considerando justa a pretensão das Nereides, Posidon ordenou ao gigantesco monstro marinho, a Baleia, que destruísse o reino da Etiópia. Quando os respectivos soberanos foram informados da decisão, dirigiram-se a um sábio oráculo do reino para lhe pedirem conselho, como era usual, na época. A resposta foi que deveriam sacrificar a sua filha, para apaziguarem os deuses marinhos. Compreensivelmente desagradados, com os corações despedaçados pela sorte da sua querida filha, amarraram Andrómeda a um rochedo virado para o mar, sabendo que a Baleia viria destruí-la. Quando o monstro começou a aproximar-se de Andrómeda, ela gritou por socorro.
Entretanto, Perseu, montado no seu grande cavalo alado, Pégaso, regressava a casa com a cabeça da Medusa, ouviu o grito de Andrómeda e voou imediatamente em seu auxílio. Perseu chegou precisamente a tempo de mostrar a horrível e ameaçadora cabeça da Medusa à Baleia, que se aproximava. O monstro parou imediatamente, pois o olhar da Medusa tinha a espantosa propriedade de transformar em pedra tudo a que olhasse. Então, Perseu libertou Andrómeda, que caiu nos seus braços, ficando ambos imediatamente apaixonados. E embora o deus do oceano não tivesse gostado que o castigo que havia decretado não tivesse sido cumprido, o súbito e profundo amor de Perseu e de Andrómeda sensibilizou-o de tal modo que os colocou no céu, um perto do outro, para que o seu amor fosse para sempre recordado pelos mortais, na Terra. Mas Posídon entendia que Cassiopeia devia ser castigada. Por isso a colocou numa posição em que ficasse eternamente condenada a girar em volta do pólo, metade do tempo voltada para cima e outra metade virada para baixo.
Esta é, a traços largos, a história fantástica de Andrómeda. A nós, a proximidade das constelações de Perseu, de Andrómeda e da Baleia, permite-nos, melhor localizá-las, a todas elas. Tem especial interesse a localização da constelação de Andrómeda, pois que é aí que se encontra a galáxia do mesmo nome, que pertence ao chamado Grupo Local e que é a mais próxima da nossa.
As duas estrelas mais importantes da constelação são a alfa Cas, Shedar, uma estrela gigante laranja, muito luminosa, a uns 230 anos luz de nós e a beta Cas, a 42 anos-luz, uma estrela branca, conhecida por Kaff, ou Al Sanam al Nakah, segundo os árabes, que vêm na constelação a bossa dum camelo.
Deveremos ainda a registar a presença, na constelação, da extraordinária estrela gigante azul, gama Cas, a 780 a. l., uma variável com uma espécie de uma concha ou envelope de gás que regularmente expele para o espaço e que oscila entre as magnitudes 3,6 e 1,6, a epsilon Cas, uma belíssima dupla, que se pode destrinçar por intermédio de pequenos binóculos, composta por uma estrela amarela e outra vermelha.
Além das muitas outras estrelas que se encontram dentro do espaço da constelação, há a considerar os seguintes cúmulos de estrelas:

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1 - o M 52 (NGC 7654), a 3. 800 a anos- luz, com cerca de 120 estrelas, visível aos binóculos.
2 - o distante cúmulo NGC 663 a 2.600 a.l., com cerca de 80 estrelas, visível com uns bons binóculos.
3 - o M 103 (NGC 581), a 3800 a.l., com 60 estrelas, em forma de losango.
4 - NGC 457, que pode ser visto ao lado da estrela supergigante fi de Cassiopeia, de magnitude 5.0.