quinta-feira, 25 de junho de 2009

O SOL

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O Sol fotografado pela sonda Soho, nos ultravioletas
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Apesar de ser a estrela que se encontra mais perto de nós, aquela que verdadeiramente podemos estudar com um certo rigor, o Sol ainda se encontra envolto em muitos mistérios e incertezas. A luz e todo o tipo de radiação que ele continuamente nos envia, têm sido, até agora, o meio privilegiado para o seu estudo e compreensão.
No entanto, é sabido que a atmosfera terrestre filtra muita dessa radiação e, por conseguinte, nos esconde algumas informações preciosas. Para contornar estas barreiras, os grandes observatórios são geralmente implantados em altos cumes de montanhas, em lugares remotos, locais secos e sem poeiras, onde o ar se encontra mais rarefeito e onde é menor ( ou quase nula) a poluição luminosa provinda das cidades. A sua localização a grande altitude, também evita a maior parte das nuvens.
Contudo, para as exigências de muitas das necessidades observacionais da moderna astronomia, eles já não são suficientemente úteis. Por isso se recorre aos satélites artificiais e às sondas.
Inventado pelo francês Bernard Lyot em 1930, o coronógrafo, foi um dos primeiros instrumentos capaz de observar a coroa solar, aquando dos eclipses. Durante esses raros mas espectaculares acontecimentos, pode ser observada a nebulosidade que rodeia o Sol, porque a fonte de luz se encontra encoberta pela Lua.
Para melhor estudar o Sol, também se utilizam filtros adaptados aos telescópios para obter fotografias que permitem distinguir diversos tipos de radiação, em separado. Essas fotografias mostram-nos imagens que não nos são familiares e permitem importantes dados sobre a actividade solar, em particular sobre as camadas exteriores, onde é possível verificar o movimento da sua matéria superficial.
Mas, muitas destas pesquisas continuam a revelar-se inconclusivas ou insuficientes, apesar dos progressos da tecnologia. A atmosfera da Terra continua a ser a maior barreira, pelo modo como distorce as imagens recolhidas, devido à inevitável circulação da massa aérea, ou por absorver parte dessa radiação. Pequenas diferenças de temperatura conferem heterogeneidade às camadas de ar, a humidade turva a visibilidade, a própria composição e estrutura das moléculas da camada aérea que cobre o nosso planeta, é uma barreira.
O problema começou a ser resolvido, com o evento dos satélites artificiais e, mais recentemente ainda, com o envio de sondas na direcção do Sol, munidas de complexa aparelhagem para fotografar, observar e medir as radiações solares, de muito perto. Mas não só as radiações solares. Também o seu campo gravitacional e magnético, o vento solar e demais incidências que se verificam no nosso astro-rei.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

CASSIOPEIA



Muitas das cenas da mitologia encerram conceitos de moral que, de resto, é uma característica de todos os cultos religiosos. As antigas religiões de Roma e da Grécia enquadravam, nesse aspecto, a sabedoria e as atitudes que deveriam reinar entre os mortais da Terra.
A história mitológica de Cassiopeia (que podemos admirar como uma bela constelação situada na parte norte do céu nocturno, no fino e denso aglomerado de estrelas da Via Láctea), está intimamente ligada a Andrómeda. No céu, é fácil distinguir as suas mais importantes cinco estrelas em forma de W.
Cassiopeia, a que os Persas chamavam Shuter, era muito bela e era esposa do rei Cefeu, da Etiópia. O desmedido orgulho pela sua beleza tomava-a arrogante a ponto de apregoar ser mais bela do que as ninfas do oceano, as Nereides. Esta presunção irritou as ninfas, que eram filhas de um dos senhores dos oceanos, Nereu. Não é que as ninfas não estivessem cientes da sua superior beleza física, mas porque a rainha parecia não perceber que os seus atributos de beleza não poderiam ser considerada uma virtude em si, porque apenas tinham nascido consigo e não tinham sido fruto dum esforço pessoal conseguido. Cassiopeia devia apenas agradecer a sua sorte; e não vangloriar-se dela. Assim, por considerarem que o comportamento da rainha denotava um deplorável desvio de valores, pediram ao rei que governava os oceanos, Posidon (Neptuno), para castigar Cassiopeia. Considerando justa a pretensão das Nereides, Posidon ordenou ao gigantesco monstro marinho, a Baleia, que destruísse o reino da Etiópia. Quando os respectivos soberanos foram informados da decisão, dirigiram-se a um sábio oráculo do reino para lhe pedirem conselho, como era usual, na época. A resposta foi que deveriam sacrificar a sua filha, para apaziguarem os deuses marinhos. Compreensivelmente desagradados, com os corações despedaçados pela sorte da sua querida filha, amarraram Andrómeda a um rochedo virado para o mar, sabendo que a Baleia viria destruí-la. Quando o monstro começou a aproximar-se de Andrómeda, ela gritou por socorro.
Entretanto, Perseu, montado no seu grande cavalo alado, Pégaso, regressava a casa com a cabeça da Medusa, ouviu o grito de Andrómeda e voou imediatamente em seu auxílio. Perseu chegou precisamente a tempo de mostrar a horrível e ameaçadora cabeça da Medusa à Baleia, que se aproximava. O monstro parou imediatamente, pois o olhar da Medusa tinha a espantosa propriedade de transformar em pedra tudo a que olhasse. Então, Perseu libertou Andrómeda, que caiu nos seus braços, ficando ambos imediatamente apaixonados. E embora o deus do oceano não tivesse gostado que o castigo que havia decretado não tivesse sido cumprido, o súbito e profundo amor de Perseu e de Andrómeda sensibilizou-o de tal modo que os colocou no céu, um perto do outro, para que o seu amor fosse para sempre recordado pelos mortais, na Terra. Mas Posídon entendia que Cassiopeia devia ser castigada. Por isso a colocou numa posição em que ficasse eternamente condenada a girar em volta do pólo, metade do tempo voltada para cima e outra metade virada para baixo.
Esta é, a traços largos, a história fantástica de Andrómeda. A nós, a proximidade das constelações de Perseu, de Andrómeda e da Baleia, permite-nos, melhor localizá-las, a todas elas. Tem especial interesse a localização da constelação de Andrómeda, pois que é aí que se encontra a galáxia do mesmo nome, que pertence ao chamado Grupo Local e que é a mais próxima da nossa.
As duas estrelas mais importantes da constelação são a alfa Cas, Shedar, uma estrela gigante laranja, muito luminosa, a uns 230 anos luz de nós e a beta Cas, a 42 anos-luz, uma estrela branca, conhecida por Kaff, ou Al Sanam al Nakah, segundo os árabes, que vêm na constelação a bossa dum camelo.
Deveremos ainda a registar a presença, na constelação, da extraordinária estrela gigante azul, gama Cas, a 780 a. l., uma variável com uma espécie de uma concha ou envelope de gás que regularmente expele para o espaço e que oscila entre as magnitudes 3,6 e 1,6, a epsilon Cas, uma belíssima dupla, que se pode destrinçar por intermédio de pequenos binóculos, composta por uma estrela amarela e outra vermelha.
Além das muitas outras estrelas que se encontram dentro do espaço da constelação, há a considerar os seguintes cúmulos de estrelas:

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1 - o M 52 (NGC 7654), a 3. 800 a anos- luz, com cerca de 120 estrelas, visível aos binóculos.
2 - o distante cúmulo NGC 663 a 2.600 a.l., com cerca de 80 estrelas, visível com uns bons binóculos.
3 - o M 103 (NGC 581), a 3800 a.l., com 60 estrelas, em forma de losango.
4 - NGC 457, que pode ser visto ao lado da estrela supergigante fi de Cassiopeia, de magnitude 5.0.