sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

NATAL (2)

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Poema de Natal #2
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A ideia de Natal é uma ideia em construção
uma casa comum de barro generoso
feito do sangue e da probabilidade duma cidade
cheia de luz, emergindo sobre o obscuro impulso

num promontório temível que despedaça as águas
impelidas por vento que vem do chão.

Evocar o Natal é uma ideia de harmonia
entre os naturais irmãos da terra, o decurso
duma semente que floresce
ao calor dum gesto sempre inacabado.

Façamo-lo hoje, antes do cair da tarde
que se levanta em sombras sobre o dia morto
para que a manhã se abra aos pássaros
voando sobre as nossas cabeças em liberdade.


inédito

sábado, 15 de dezembro de 2007

RADIAÇÃO SOLAR

O Sol#2
A radiação que chega até nós, vinda do Sol, é de natureza diversa e envolve uma série de fenómenos diversos. Para os povos mais antigos, ela resumia-se à luz visível e, mesmo assim, essa luz parecia ser una e indivisível. No entanto, os estudos do inglês Thomas Young, vieram a mostrar a realidade dessa luz. Ela, de facto, é composta de várias luzes diferentes, que podemos verificar (e apreciar) num arco-íris. Quando se dá esse belo fenómeno atmosférico, a luz solar é decomposta em luzes de sete cores diferentes. O mesmo se passa quando a fazemos atravessar o prisma óptico, em laboratório. Ao atravessar o prisma de vidro ou a viajar por entre as gotículas de água que se mantém em suspensão depois da chuva, o conjunto da ondas luminosas que compõem a luz solar, é fraccionada segundo as suas características electromagnéticas. A cada uma dessas cores corresponde um diferente comprimento de onda da radiação solar e cada uma dessas luzes tem características físicas diferentes. Por exemplo, ela é mais fria e mais penetrante nas imediações do violeta e mais quente e menos penetrante, nos vermelhos.
No entanto, a radiação solar não se esgota nestas sete cores e seus correspondentes comportamentos físicos. Além dos raios ultravioletas, que têm um efeito nocivo e perigoso na pele dos veraneantes (mas também no resto da fauna e da flora do planeta...), particularmente se se trata dos ultravioletas duros, que são os mais penetrantes, temos ainda a os raios x e os raios gama, muito mais perigosos que os ultravioletas. O ozone e a atmosfera protegem-nos dessas radiações mortíferas.
Ainda a considerar, na radiação solar, o efeito dos raios cósmicos que, como o nome sugere, parecem vir do Cosmos longínquo. Mas assim não é. Eles chegam-nos de todas as zonas do espaço cósmico e são oriundos de estrelas comuns, inclusivamente do Sol. São entidades como núcleos de hélio e até núcleos de elementos pesados. Chegam à Terra com velocidades apenas um pouco inferiores à velocidade da luz e geralmente não atingem a superfície do nosso planeta. Como são de dimensões idênticas ao oxigénio ou ao azoto da atmosfera, chocam com esses elementos ao entrar nas altas camadas atmosféricas, produzindo fenómenos interessantíssimos que são estudados atentamente na física atómica.
Para finalizar, vamos referir os neutrinos. O número de neutrinos que chega à Terra é colossal. Têm características que os tornam quase indetectáveis, porque são partículas electricamente neutras (tal como os fotões), e ainda muitíssimo mais pequenas que eles. Assim, não são atraídos ou repelidos pela matéria comum e passam facilmente por entre ela, sem esbarrar com os núcleos de todos os elementos da natureza (atravessam o nosso corpo, em todos os sentidos, sem que demos por isso e sem nos causar qualquer dano), podendo também atravessar de lado a lado toda a Terra (e mesmo o Sol), sem praticamente interagir com a matéria.
A existência desta partícula quase fantasma, tinha sido proposta pelo físico austríaco Pauli, em 1930, para tentar explicar determinados problemas que se punham com a desintegração do neutrão. Mas foi o Enrico Fermi, ainda no mesmo ano de 1930, que elaborou um modelo para o átomo, que incluía o neutrino. Como era italiano, chamou-lhe neutrino, ou seja: pequeno neutrão.
A existência da partícula acabou por ser provada. Porém, subsiste um mistério. Porque é que chegam à Terra muito menos neutrinos dos que são previstos teoricamente?
Haverá qualquer coisa que ainda não foi bem compreendida nessa partícula fantasma, ou haverá algum erro importante, nos mais recentes modelos que procuram explicar o funcionamento do Cosmos?
Recentemente, pensa-se que se transformam, pelo caminho.

domingo, 18 de novembro de 2007

ÚLTIMAS

Este cometa Holmes tem sido motivo de observações várias, não só de amadores, como de profissionais e até do próprio telescópio espacial Hubble. Depois duma explosão no dia 23 de Outubro, o cometa começou a expandir-se, sendo visível à vista desarmada. Continua na mesma zona do céu e é possível vislumbrá-lo junto à estrela mais brilhante da constelação Perseu, mais ou menos a meio caminho entre as Plêiades (vulgo sete estrelo) e a Cassiopeia (que parece um W). Tudo isto, ao alto do céu, não longe da Estrela Polar. É visto como uma muito pequena bola ténue. Ele encontra-se a uma distância comparável à que nos separa do Sol e é, neste momento o maior objecto do Sistema Solar! Isso é devido à enorme "cabeleira" que desenvolveu. No entanto a sua matéria é extremamente rarefeita e as dimensões que apresenta só podem ser vistas com bons telescópios. São as notícias que chegam do telescópio franco-canadense de Havai, no monte Mauna Kea. Na imagem, também se pode ver Saturno, por comparação.
Quanto à chuva de estrelas, ontem consegui ver duas, mas o céu estava nublado e não deu para mais. Creio que as notícias (segundo a meteorologia), não deixam grandes esperanças, para as regiões do Norte e Centro. De todas as maneiras, nada comparado com o que aconteceu em 1999, 2001 e 2oo2, onde foi possível observar milhares de ocorrências por hora!
.A astronomia de amadores é assim. É preciso muita paciência.

Créditos: Robert Roy Britt

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

CHUVA DE ESTRELAS CADENTES - LEÓNIDAS




















Ainda não tínhamos tido ocasião de referir estes curiosos eventos celestes que acontecem regularmente e podem facilmente ser vistos, sem auxílio de quaisquer instrumento óptico. São vários os períodos do ano, em que eles acontecem. A presente "chuva de estrelas" é conhecida por Leónidas, já que os rastos luminosos parecem vir dum “radiante”, na constelação de Leão. O que será observado é o resultado da queda de pequenos fragmentos de matéria vinda do Espaço, na atmosfera terrestre. A enorme velocidade a que entram nas altas camadas da atmosfera e o aquecimento a que ficam sujeitas devido à fricção, provoca a sua combustão. Esses fragmentos provêm dum cometa periódico (o Tempel-Tuttle). Neste momento, a Terra cruza a sua órbita. A “chuva de estrelas” a que nos referimos, já se mostra desde o dia 14, mas é no próximo fim de semana que ela será mais importante, particularmente depois da meia-noite de Sábado, aí pelas 3 da manhã. Saturno estará na constelação de Leão e isso ajudará a localizá-la. É preciso olhar para Leste, para uma zona não muito alta do céu. A zona do "radiante" só começa a “nascer” depois da meia-noite. As estimativas dizem-nos que no máximo poderão ser vistas umas 33 "estrelas cadentes", por hora. No entanto, devo dizer (e para não defraudar altas expectativas), que estas previsões são muito falíveis, mas há sempre a esperança dum acontecimento excepcional como o que se deu no dia 13 de Novembro de 1833, observado desde o Canadá até ao México, tido como o maior da história, aqui desenhado por um artista da época, com se pode ver na gravura.

Créditos Carta Celeste Observatório Astronómico de Lisboa

SCLARECIMENTO: Devido à actualidade deste evento, decidimos recolocar a postagem sobre magnitudes, para data posterior.

sábado, 10 de novembro de 2007

AINDA O HOLMES

O cometa Holmes continua visível, no céu.

A cabeleira está maior, embora a sua magnitude tenha descido.

Isto é: perdeu intensidade, o seu brilho.

Na carta celeste que mostramos, cortesia da revista de astronomia Sky and Telescope, mostramos a sua localização. Deve-se olhar para os céus altos na direcção de noroeste. Como ponto de referência procurar a constelação Cassiopeia, que é bem visível pois as suas estrelas parecem formar um W. Aproveitar este fim de semana, ao cair da noite, antes que a Lua venha por aí, de novo, a estragar tudo...

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

AINDA O COMETA


Têm chegado até mim, muitas imagens do cometa Holmes. Não resisto a publicar esta, de Carlos Gouveia, que é, de facto, muito bonita. Convém esclarecer que esta e outras imagens que aqui têm aparecido, são obtidas através de telescópios, em exposição mais ou menos prolongada, e depois tratadas.

domingo, 4 de novembro de 2007

A CAUDA


COMETA HOLMES


Desde as primeira imagens do cometa, que era patente um núcleo rodeado de farta cabeleira. Mas agora pode-se ver também uma cauda, o que é característico dos cometas típicos: núcleo, cabeleira e cauda.
A imagem foi colhida pelo astrónomo Mário Santiago

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

COMETA 17/P HOLMES



Foi há mais de cem anos que este cometa foi descoberto, em 1892, pelo astrónomo inglês que lhe deu o nome. Curiosamente a sua órbita situa-se entre os planetas Júpiter e Marte, encontrando-se por estes dias a mais duzentos e vinte milhões de quilómetros da Terra. É um cometa periódico, com um período de quase 7 anos. Quando, desta vez, foi avistado, tinha uma magnitude de 17. Isto é: completamente impossível de ser visto, a não ser por meios ópticos de grande alcance. No entanto, e sem que e saiba bem porquê, passou rapidamente a ostentar um brilho que permite ser observado à vista desarmada, próximo da magnitude 3, nas imediações da constelação Perseu. Neste momento, o seu brilho diminui, embora se esteja a aproximar-se de nós.

crédito Paulo Barros

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

ÚLTIMA HORA

.....COMETA. HOLMES

Sem grandes entusiasmos, para não defraudar as expectativas dos mais optimistas (o objecto encontra-se a uma distância superior à que nos separa do Sol), aqui se dá conta do que era a localização do cometa 17P/Holmes, onteontem, dia 24).
Não sendo um cometa espectacular, longe disso, como foi o recente Hale Bopp, na década de 90, será um bom teste às nossas capacidades de observação. Ele pode ser viso à vista desarmada, quase ao alto, junto à constelação de Perseu e distingue-se, com uma certa facilidade, duma vulgar estrela. Utilizando um binóculo (por exemplo de 8 x 30), nota-se-lhe perfeitamente a cabeleira redonda, de apreciáveis dimensões. Obviamente que a poluição luminosa das localidades será um grande obstáculo à sua visualização. A Lua, por estes dias, também perturba. Por isso, para os que são verdadeiramente amadores destas coisas, sugere-se que se desloquem para um sítio muito escuro, com uns binóculos e um tripé. Sem isso, o binóculo de nada serve, pois não se consegue manter a mesma posição.

imagem de artista

créditos: www.apolo11.com

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

OS COMETAS (1)

cometas#1


Os cometas são astros muito curiosos, por vezes espectaculares, que circulam dentro do Sistema Solar. Por isso, lhes chamam "vagabundos", ou "viajantes do Sistema Solar".

Orbitam em volta da estrela, como fazem a Terra e os outros planetas. Mas também como os pequenos corpos da Cintura de Asteróides que gravitam entre Marte e Júpiter e as duas outras descomunais cinturas de pequenos astros, que se encontram para além de Plutão.

Alguns asteróides que circulam pelo Sistema Solar são, provavelmente, velhos cometas que perderam toda a sua matéria volátil ao longo de milhões de anos de aproximações ao Sol.

Uns e outros são oriundos das citadas cinturas que se encontram para além de Plutão: a Cintura de Kuiper e a Nuvem de Oort, já imensamente distante do Sol. Esta última vai até a mais de meio caminho entre nós e a estrela mais próxima, a α de Centauro.

Basicamente, um cometa é um corpo de pequenas dimensões (até algumas dezenas de quilómetros de comprimento), que tem um núcleo sólido revestido por compostos gelados.

Quando se aproxima suficientemente do nosso astro-rei – numa das suas viagens orbitais – aquece, libertando parte dos seus voláteis. Algumas vezes, é possível observá-los a olho nu, desde a Terra e podem proporcionar grandes espectáculos visuais.

Para os romanos eram os astrum barbatum. E, no nosso país, eram conhecidas por "estrelas de rabo", para os mais antigos. Os chineses mais remotos viam-nos como pincéis, os hui, com que desenham as suas letras (o que é uma tradição milenar) e, como mostra a gravura que reproduzimos, certos povos guerreiros associavam as suas formas às armas que utilizavam!

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continua

segunda-feira, 25 de junho de 2007

A URSA MENOR (conclusão)

CONCLUSÃO DA POSTAGEM DE 19 DE JUNHO
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A mãe arranjou um estratagema para iludir Cronos, e salvar o filho (que haveria de ser Zeus): meteu uma pedra nas fraldas do recém-nascido! Cronos pensou que fosse o filho e engoliu-o dum trago. A essa hora já Zeus estava longe, em Creta, onde umas ninfas cuidavam dele. Porém havia um problema, que era o choro de bebé. A imaginação desses nossos venerandos antepassados da Antiguidade Grega, inventou uma maneira de evitar que Cronos ouvisse esse choro da criancinha: colocaram guardas muito barulhentos à entrada da caverna onde as ninfas o protegiam, para que Cronos nada ouvisse! Conta a história que, mais tarde, sendo Zeus já adulto, encetou uma guerra contra o pai e os Titãs. Tendo ganho a guerra, obrigou Cronos, a regurgitar os irmãos que tinha engolido. E passaram a ser eles, os novos deuses do Olimpo.
Uma das deusa é Ida, que no céu ficou representada pela Ursa Menor; a outra é Adrastea, representada pela Ursa Maior!