DILEMA

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domingo, 7 de março de 2010

O SOL

O Sol #3

O Sol é uma estrela, igual a tantas outras. Por estar próxima, parece-nos a maior de todas.
Sabemos a sua idade, volume e massa, composição química e temperatura, distância a que dela nos encontramos, e por aí adiante.
Mas os nossos mais remotos antepassados, não a comparavam às outras estrelas do céu e nada sabiam do seu princípio e destino último. Julgavam-na um deus imorredoiro, como todos os deuses da imaginação do homem.
No antigo egípcio, o Sol era Rá, ou Ámon-Rá e navegava num barco, através do céu, tendo Akenaton eleito Áton - o disco solar - como o único deus. A ele se refere um dos mais longos e harmoniosos poemas da antiguidade:

"
Como a tua aurora é bela, no horizonte,
Ó Aton, iniciador da vida
..."

Por todo planeta o Sol foi adorado como deus: desde a Austrália, dos Arunta, passando pelos Celtas e pela Mesopotânia, até à região dos esquimós do árctico. Na antiga Grécia era simbolizado por Apolo e representava a beleza física, em Babilónia por Shamash ou "a luz dos deuses", e alguns povos africanos viam-no como o "olho da suprema divindade", sempre presente, omnisciente e omnipotente. No Extremo Oriente, para os religiosos seguidores do Ryôbu-Xintô, o Sol é Amaterasu - o mais nobre dos deuses japoneses, irradiando claridade e luz.
Gago Coutinho conta que, quando atravessou a África Austral, encontrou umas tribos que pensavam que a Terra estava coberta por um manto e que o Sol, durante o dia, se encontrava aquém do referido manto. No entanto, à noite, o Sol estaria para aquém do manto. Como o manto se encontrava esburacado era possível ver a luz do sol pelos diversos buraquinhos, e isso eram as estrelas.
Hermes Trismegisto, tido pelo primeiro dos alquimistas, confundia Sol e ouro, considerando-o "formado por um mercúrio muito subtil e por um pouco de enxofre muito puro". Também na fria Dinamarca, os povos que habitavam Trundholm, na Idade do Bronze, adoravam o astro-rei e tinham-no representado por um disco coberto por uma folha de ouro. Situação semelhante se verificava na região dos astecas, que adoravam um Sol de uma braça de diâmetro, nesse metal precioso. Como se vê, quase todas as civilizações primitivas adoravam o Sol e muitas consideravam-no como deus. E não sem razão. Na verdade, sabemos hoje, a Terra é uma espécie de subproduto do Sol, feita dos restos da estrela, aquando da sua formação, vai para cinco mil milhões de anos. Mas não só a Terra foi engendrada pela estrela em formação, como, depois, passou a depender dela, da sua luz, do seu calor, da sua energia. Foi, muito certamente, esta constatação que fez como o Sol fosse tido como deus criador, pelos antigos. Até mesmo os primeiros cristãos se referiam a Cristo como "a luz", ou o Sol, certamente por ter sido associado a outras divindades solares mais antigas, da região.
Na verdade, o Sol é quase exclusivamente constituído por hidrogénio, um pouco de hélio e vestígios doutros elementos, como o oxigénio, na proporção de uma parte por cada mil e quinhentas de hidrogénio. Formou-se há mais de quatro mil e quinhentos milhões de anos e deve manter o aspecto actual, pelo menos durante mais outro tanto tempo. O seu diâmetro, que hoje é cem vezes maior que o terrestre, expandir-se-á até nós, engolindo a Terra e depois Marte. Por essas alturas, a estrela amarela e média que é o Sol, tendo consumido a maior parte do seu hidrogénio, convertendo-o em hélio, transforma-se numa gigante vermelha, idêntica a outras que se conhecem no céu da Galáxia. A sua luz empalidece e a estrela esfria inexoravelmente até comprimir-se a dimensões mínimas, muito inferiores ao seu actual volume e tornar-se anã-branca.

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