terça-feira, 29 de julho de 2008

cometas

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O COMETA de HALLEY

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.................................................O cometa Halley em 1835. Gravura do séc. XIX

O cometa Halley é o mais célebre de todos os cometas. A sua história remonta ao ano de 239 a. C.
Devemos aos remotos astrónomos chineses as observações que efectuaram nesses tempos recuados e também todos os registos de outros cometas, incluindo as 10 posteriores aparições do mesmo cometa, entre os anos de 760 e 66 d.C. Mas eles não foram capazes de associar nenhuma dessas aparições a qualquer outra anterior, porque nesse tempo se pensava que esses estranhos visitantes nunca mais voltavam. Hoje sabe-se que assim não é, depois que Edmond Halley, um astrónomo inglês que viveu no século XVII, observou e estudou a trajectória dum cometa brilhante que se via nos céus, em 1682 e a que foi dado o seu nome.
Baseando-se nos escritos enunciados no «Principia», de Newton, onde eram deduzidas as leis da mecânica celeste e nas leis que Kepler equacionara para descrever o movimento dos planetas em torno do Sol, Edmond Halley determinou a trajectória do cometa e foi capaz de prever o seu regresso. Essa órbita é uma elíptica muito alongada e, contas feitas, o cometa regressaria dentro de 75 ou 76 anos. E regressou. O astrónomo já não pertencia ao número dos vivos, para poder presenciar e rejubilar-se com a sua extraordinária previsão, mas o seu nome ficou para sempre ligado à astronomia e o feito serviu de prova complementar às leis de Kepler e à revolucionário teoria da gravitação de Newton.
Mas nem por isso se esvaneceram as crenças nos maus augúrios trazidos pelos cometas.
Antes de Edmond Halley, em 66 d. C., segundo relatos ocidentais da época, o cometa permaneceu visível quase durante um ano, sobre Jerusalém e "parecia um sabre ameaçando a cidade". Esta passagem do Halley ficou associada à Guerra Judaica. Como se sabe, os romanos do tempo do imperador Vespasiano, cercaram Jerusalém em 70 d. C. e acabaram por tomar a cidade sitiada.
Em 1066, ano em que o cometa também reapareceu nos céus da Terra, é de lembrar o resultado da célebre batalha de Hastings, entre Normandos e Ingleses: para os Normandos ele ficou como um bom presságio, pois ganharam a guerra, enquanto que os Ingleses o amaldiçoaram...
Também uma situação semelhante aconteceu em 1910, aquando da implantação da República, em Portugal. Para os republicanos, o Halley tinha sido uma boa promessa; para os monárquicos, o anúncio duma grande desgraça...
É vasta a lista conhecida de desgraças e cataclismos atribuídas aos cometas, quer ao Halley, quer aos outros. Ainda em relação a este célebre "viajante interplanetário", lembremos Mehemed II e a queda de Constantinopla, em 1456. O responsável por essa calamidade, para os Cristãos e para toda a cristandade... fora o Halley, que, no entanto, só passou 3 anos depois!...
A última passagem do Halley, junto da Terra, verificou-se entre 1985 e 1986, como previsto. Mas as condições de visibilidade foram muito afectadas pela grande distância a que passou de nós, no seu caminho em direcção ao Sol, e também na sua rota de regresso aos confins do Sistema Solar. Na Europa, na maior parte do tempo ele aparecia-nos muito próximo da estrela, ao nascer ou por do Sol, sendo ofuscado pelo seu brilho. Mas no hemisfério austral – por exemplo, na África do Sul –, o Halley manteve-se muito tempo ao alto, no céu nocturno e foi possível observá-lo sem dificuldade. Esta última aparição do célebre cometa terá sido uma das mais pobres de toda a História.

A próxima passagem será no ano de 2061.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

MEDIÇÕES ASTRONÓMICAS (1)

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A nossa vida diária impõe a necessidade da utilização de vários sistemas de medidas. Os instrumentos ou os aparelhos que utilizamos (balanças, fitas métricas, relógios, entre outros) podem considerar-se inexactos, mas são os exactamente adequados a essas funções.
No entanto, quando o Homem pretende estudar aprofundadamente certos aspectos das ciências, quer seja a física tradicional e a física atómica, a química ou a astronomia, são necessários instrumentos de medida de grande sensibilidade e precisão.
Assim, a nave que transportou Aldrin e Armstrong (os primeiros homens a desembarcar na Lua), viajando a uma velocidade bem determinada, tinha de estar completamente segura de que ia aterrar num sítio exacto do mar da Tranquilidade, e isso só era possível desde que se conhecesse, de antemão, entre muitas outras coisas, a distância certa, entre o Cabo Canaveral e a Lua.
Calcular as distâncias que nos separam de diferentes corpos celestes, parece muito difícil. Mas não é.
Assim como não é difícil, ao homem comum, desconhecedor das matemáticas e da trigonometria, saber por exemplo, a altura exacta duma árvore bem alta, sem necessidade de subir ao seu topo, mesmo se estiver muito longe dela! Basta usar um pauzinho. Com um olho fechado e de braço esticado, faz-se coincidir a imagem do pauzinho, com a da árvore. Uma rotação, até à horizontal, permite ver aonde recai a outra extremidade. O tamanho da árvore é igual à projecção horizontal do pauzinho, no chão! Depois, é só medir.
A primeira das medições que se pode considerar astronómica, foi realizada por um grego antigo, chamado Eratóstenes, director da famosa Biblioteca de Alexandria. Ele realizou a proeza impressionante de calcular o perímetro da Terra, há mais de dois mil anos!
É o que veremos em posterior postagem.

domingo, 13 de julho de 2008

GALÁXIAS

galáxias #1

M 31 - a galáxia de Andrómeda
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A nossa galáxia é um enorme conjunto de estrelas e outros corpos celestes interdependentes, ligados pela força da atracção universal. A palavra galáxia vem do grego "galactos" que significa leite. É por isso que chamamos Via Láctea àquela grande mancha esbranquiçada que podemos ver no céu e que não é outra coisa senão o aspecto dos miríades de estrelas da nossa própria galáxia, vistas de dentro, do local onde nos encontramos. As que podemos ver no céu são apenas uma ínfima quantidade das mais de 100 mil milhões da Galáxia. E este número é, para muitos, considerado pouco realista.
Pensa-se que as estrelas anãs, de muito pequenas dimensões e que não são susceptíveis de observação, possam fazer subir o número para o dobro, isto é: 200 mil milhões ou mais.
Se observada de fora, a Via Láctea (também lhe chamam Estrada de Santiago), deveria ter o aspecto dum casulo, semelhante à Andrómeda, muito brilhante na parte central, com espirais que se desvanecem para o exterior. É num desses braços anónimos, numa posição discreta, sem nada de peculiar, que se encontra o Sol e obviamente a Terra.
De perfil, vê-la-íamos fortemente achatada. O seu diâmetro é da ordem dos 125.000 anos-luz. Tem um movimento de rotação e perfaz uma volta completa em cerca de 220 milhões de anos. A Galáxia também tem os seus satélites. Estão neste caso as Nuvens de Magalhães, duas pequenas galáxias, e ainda vários aglomerados de estrelas chamados "exames".
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(continua)

domingo, 6 de julho de 2008


PLANETA : VÉNUS....
planetas #3

A verdadeira natureza de Vénus só veio a ser conhecida depois de 1960, quando foi possível observá-lo na banda das ondas-rádio.
Até então, pensava-se que planeta estaria coberto de espessa vegetação, com oceanos de água ou de hidrocarbonetos e uma espessa atmosfera.
Também muitos acreditavam que fosse habitada pelos venusianos.
Os primeiros observadores do céu julgavam que Vénus não seria um planeta, mas sim dois, pelo simples facto de que geralmente só é facilmente vista pela manhã e depois à tarde. Na verdade, pelo facto de girar mais perto do Sol do que nós, (e embora seja o objecto mais brilhante do céu, a seguir ao Sol e à Lua), não é fácil vê-la em pleno dia. Assim, é tanto conhecida pela “estrela da manhã”, como pela “estrela da tarde”.
Na verdade, o planeta gira em volta do Sol, de leste para oeste, ao contrário da Terra. Um dia, em Vénus, equivale a 243 dias terrestres, sendo maior que o ano venusiano, que tem apenas 225 dias!

Tal como a Lua, é vista da Terra, num ciclo de fases, como a que se pode observar na gravura.
O planeta é conhecido desde tempos pré-históricos e é curioso que os maias elaboraram calendários que se baseavam no ciclos de Vénus.
Vénus é muito parecida com a Terra, em diversos aspectos: é um astro rochoso, constituiu-se a partir da mesma nebulosa, ao mesmo tempo que a Terra e tem uma massa, densidade e volume apenas ligeiramente inferiores. A sua distância ao Sol de cerca de 108 milhões de quilómetros comparados com os 150 milhões (uma unidade astronómica), que nos separam do astro-rei.
Quanto ao resto, sabe-se hoje, possui uma enorme e espessa atmosfera constituída por anidrido carbónico, praticamente sem vapor de água, não tendo oceanos.
As suas nuvens contêm gotículas do corrosivo ácido sulfúrico, uma pressão atmosférica, à superfície, mais de noventa vezes a que temos na Terra e temperaturas de 480º centígrados! Esta temperatura é devida principalmente ao efeito de estufa causado pelo anidrido carbónico.
Assim sendo, as primeiras sondas terrestres que para lá foram enviadas, não conseguiram vencer esses obstáculos e desfizeram-se ao descer na corrosiva e pesadíssima atmosfera, antes de poder enviar informações úteis.
Recentemente têm recorrido a outros métodos, para melhor conhecer o planeta, já que a atmosfera do planeta impede fotografar a sua superfície.
Utilizam-se radiotelescópios, sistemas de radar e sondas que se aproximam do planeta. Sabe-se agora que essa superfície é relativamente recente, onde existem grandes planícies cobertas de lava e rochas vulcânicas, atravessadas por correntes de lava e canais que se estendem por centenas de quilómetros
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