segunda-feira, 30 de março de 2009

NEBULOSA DO CARANGUEJO

Imagem NASA
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O ano de 1054 da nossa era, ficou para a história da astronomia como o ano em que a primeira supernova foi descrita pelos habitantes do planeta. O acontecimento foi registado no dia 4 de Julho, pelos astrónomos Chineses da dinastia Sung, que chamaram ao fenómeno, estrela convidada.
Mas também, por outros povos da Terra. Os índios Navajos, de Chaco Canon, no Novo México, gravaram o fenómeno, numa pedra, tendo o cuidado de aí colocar a Lua, na sua correcta fase, e algumas estrelas próximas, tal como observaram. Isso permitiu que os modernos astrónomos soubessem que o fenómeno registado por esses índios americanos, fora o mesmo que os chineses registaram.
O que aconteceu foi qualquer coisa de verdadeiramente surpreendente. Numa região do céu, na constelação do Touro, onde não havia nenhuma estrela proeminente, apareceu, subitamente, um luzeiro de grande intensidade a aumentar o seu brilho, de noite para noite, de tal maneira que, em poucos dias, o seu resplendor chegou a atingir cinco vezes o do planeta Vénus e ser claramente visível, em pleno dia!
Tratava-se duma supernova, ou seja: uma estrela que explodiu, debitando tanta energia em poucas semanas, como o nosso Sol o tem vindo a fazer, desde há milhares de milhões de anos!
Assestando os telescópios para o sítio exacto onde se verificou o acontecimento, os astrónomos de hoje podem observar uma nebulosa que, vagamente, faz lembrar um caranguejo, sendo conhecida por esse nome. Messier, um astrónomo que elaborou o primeiro mapa celeste dos tempos modernos, deu-lhe a designação de M 1. Encontra-se a mais de três mil anos luz da Terra e no seu centro está um estrela de neutrões – um pulsar – que gira sobre si mesmo, trinta vezes por segundo.
Quando, a intervalos de quarenta ou cinquenta anos, se tiram fotografias ao pulsar, pode ver-se que a explosão não chegou ao fim. Na verdade, filamentos visíveis de matéria, ainda se afastam do centro, a cerca de mil quilómetros por segundo, passado que foi mais dum milénio, sobre esse tão extraordinário acontecimento!

domingo, 22 de março de 2009

UMA OUTRA TERRA?

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Foi descoberto, aqui há um ano, gravitando em redor duma estrela, um planeta semelhante à Terra!
A proeza deve-se a um grupo de astrónomos operando no Observatório de Genebra, na Suíça.

Até agora, sabia-se que essa estrela abrigava outros dois planetas muito maiores, mas semelhantes a muitos outros já conhecidos.
Foi em 1995, que se detectou o primeiro exoplaneta. Orbita uma estrela da constelação de Pégasus, e foi descoberto através dum método dito da Velocidade Radial.
De lá para cá já foram encontrados mais uns duzentos, mas, todos eles têm características físicas que os colocam perto do maior dos planetas gasosos do nosso sistema, Júpiter.
Podem ter as suas dimensões, ou ser ainda muito maiores.
O planeta agora descoberto orbita uma estrela anã vermelha denominada Gleise 581, a cerca de 20 anos-luz de nós, tem provavelmente uma estrutura rochosa e pensa-se que tenha água. Assim sendo, poderá ter água líquida. Essa (crê-se), é uma condição necessária para o aparecimento da vida - o tipo de vida que temos.
As estrelas anãs vermelhas típicas, são muito comuns na galáxia. Têm geralmente cerca dum décimo do raio solar e uma densidade umas cem vezes a do Sol. A temperatura de superfície da Gleise 581 ronda os 2.700 graus comparadas com os 5.000 ou 5.500 graus da estrela mãe do nosso Sistema Planetário.
O planeta descoberto gira muito próximo da estrela mas, dado que a anã vermelha produz menos energia que o Sol, deverá ter temperaturas médias entre o zero e os 40 graus Celsius. Na Terra, a temperatura média é de 15 graus. A sua massa deverá rondar umas cinco massas terrestres e gira em volta da estrela em apenas 13 dias, um ano nosso, para os hipotéticos habitantes do planeta!

terça-feira, 10 de março de 2009

-constelações # 3
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A Ursa Menor é uma importante constelação dos nossos céus, pelo facto de incluir a Estrela Polar. Ao longo dos séculos, essa estrela tem sido a referência do Polo Norte. Por isso, era quase imprescindível para os velhos navegadores dos oceanos setentrionais. E, por isso mesmo, de nada servia para os mares austrais. Aí, a referência do Polo Sul é a Cruzeiro do Sul. Esta última, de tal maneira era importante, que figura na bandeira brasileira!
Curiosa é a história mitológica desta constelação, com de resto, de quase todas as outras. A imagem que reproduzimos é bem elucidativa. Os antigos viam, inscrito nesse agrupamento de estrelas, uma ursa! Bem poderiam ter visto um macaco, um determinado herbívoro ou felino, ou uma qualquer outra imagem, por exemplo, uma caçarola.

O caso é idêntico ao que envolve todas as outras constelações do Zodíaco.
Os astrólogos antigos viram um touro num determinado grupo de estrelas e, então, os nativos do Touro terão as características do touro! Nada mais discriminatório.

No caso vertente, a história mitológica começa em Cronos, um dos antigos deuses. Com tinha sido profetizado que um dos seus filhos o destronaria, Cronos não fazia por menos: comia os filhos à nascença! Um desses filhos, Zeus, acabou por ser salvo e passou a ser o deus supremo, conforme a profecia também suprema!

Continua numa próxima postagem

quarta-feira, 4 de março de 2009

ANDRÓMEDA

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A religião da Antiga Grécia sustentava-se em mitos, deuses para todas as situações, personagens fabulosas, semi-deuses e heróis humanos transformados em divindades.
Os deuses eram entidades superiores, imunes ao perpassar do tempo, mas com aparência humana e muito frequentemente adoptando comportamentos humanos, os mais variados. Tinham a faculdade de comunicar com os homens por intermédio de quem lhes apetecesse, sem que os hospedeiros, transmissores da mensagem, tivessem qualquer conhecimento do que estavam a fazer.

E protagonizavam histórias muitas vezes belas, outras vezes vis, sórdidas, de amores proibidos, traições, vinganças e interesses, à semelhança do que fazem os homens.

Essas histórias chegaram até nós pelas lendas, cânticos, icnografia, poemas e outras obras literárias, e descrições transmitidas geralmente pela tradição oral.

A história sobrenatural de Andrómeda começa com sua mãe, Cassiopeia, que se gabava ser mais bela que as próprias Nereides, umas formosíssimas ninfas, filhas do deus do Mar. Estas, ofendidas com o desplante, queixaram-se ao pai, o tal deus do Mar, Poseidon. E este para vingar as filhas, mandou um monstro marinho, Cetus (a baleia), para destroçar a Etiópia, cujo rei era Cefeu, esposo de Cassiopeia.
Porém, neste imbróglio meteram-se os oráculos (adivinhadores do futuro), que avisaram Cefeu do que se iria passar, podendo ele remediar a questão se sacrificasse a filha, Andrómeda. Então, para salvar o seu povo, Cefeu mandou amarrar Andrómeda a um rochedo para ser devorada pelo monstro.
A história haveria de acabar em bem, pois, entretanto, surgiu em cena o herói Perseu, que matara a Medusa, cortando-lhe a cabeça. Mostrando-a a Cetus, transformou-a em pedra, na própria rocha, e salvou a princesa. Como resultado destes extraordinários acontecimentos, e no que à Astronomia diz respeito, Andrómeda foi posta no céu, em forma de galáxia e Perseu, de constelação.


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.Imagem Google: Perseu libertando Andrómeda